Consumidores reportaram perdas de quase US$ 16 bilhões para fraudes e golpes em 2025, um aumento de 25% em relação ao ano anterior, segundo a Federal Trade Commission (FTC). Essas perdas representam mais do que apenas dinheiro: economias de aposentadoria dizimadas, finanças familiares desestabilizadas, pequenos negócios prejudicados e a confiança na economia abalada. Como promotor-geral da Geórgia, proteger os consumidores é uma das prioridades do meu gabinete. Investigamos diariamente fraudes, golpes e outras formas de crime financeiro, processamos criminosos e ajudamos os cidadãos da Geórgia a não se tornarem vítimas. Contudo, o crime financeiro evoluiu mais rápido que as políticas públicas.
Continuamos a encarar os golpes como meras fraudes. Eles não são. A fraude tradicional envolve criminosos realizando transações não autorizadas com credenciais roubadas ou contas comprometidas, algo que pode ser contido com a segurança da transação. Golpes apresentam desafios fundamentalmente diferentes e demandam soluções distintas. Somente em 2025, americanos reportaram perder US$ 3,5 bilhões para golpes de impostores — quase o triplo do total de cinco anos atrás. Criminosos se passam cada vez mais por empresas confiáveis, instituições financeiras, agências governamentais ou até familiares para manipular vítimas a enviar dinheiro voluntariamente, acreditando genuinamente na legitimidade da transação. Muitos desses golpes começam em redes sociais, por mensagens de texto, chamadas falsificadas (spoofing), sites de namoro, oportunidades de investimento fraudulentas e e-mails de phishing. Aqui na Geórgia, presenciamos a mesma evolução preocupante. Golpes de investimento em criptomoedas, esquemas de personificação de governo, golpes românticos e ataques de comprometimento de e-mail empresarial (BEC) crescem em sofisticação, gerando perdas devastadoras.
Um Crime em Evolução
Por muito tempo, o debate público se concentrou no estágio final do golpe. Nesse ponto, a vítima pode já ter sido manipulada por dias, semanas ou até meses. As reais oportunidades de interromper esses crimes existem ao longo de todo o processo: quando anúncios enganosos aparecem online, quando mensagens de texto fraudulentas são enviadas, quando criminosos personificam instituições confiáveis, quando contas suspeitas surgem e quando os fundos ainda podem ser interceptados antes de chegar às organizações criminosas. Uma estratégia focada em apenas um estágio sempre falhará.
A Necessidade de Colaboração
Nenhuma organização ou setor isolado pode resolver este problema. Promotores-gerais, agências federais, empresas de tecnologia, provedores de telecomunicações, instituições financeiras, empresas de pagamento, comerciantes, defensores do consumidor e órgãos de segurança pública veem diferentes partes da empreitada criminosa. Ao combinar conhecimento e recursos, podemos proteger os consumidores antes que as perdas ocorram. Esforços importantes já estão em andamento nos setores público e privado. Empresas e organizações estão investindo em inteligência artificial, autenticação mais forte, análise comportamental, detecção de fraudes e monitoramento de transações para identificar atividades suspeitas mais cedo e interromper a atividade criminosa antes que os consumidores sofram perdas. Agências de segurança estão expandindo parcerias e sua capacidade de investigar organizações criminosas sofisticadas.
Educação e Inteligência
Esses esforços importam, mas os criminosos se adaptam com a mesma rapidez. Inovação contínua, investimento e colaboração em todos os níveis permanecem essenciais — começando pela educação do consumidor, para que as pessoas reconheçam os golpes antes que seja tarde demais. Na Geórgia, continuamos a encontrar os consumidores onde eles estão: visitando idosos, grupos de aposentados, igrejas e associações industriais para compartilhar informações sobre os últimos golpes e como evitá-los. Criamos também três guias educativos para ajudar idosos, pequenas empresas e famílias militares a proteger suas finanças e prevenir ameaças cibernéticas. A educação é fundamental. Consumidores que sabem o que procurar têm uma chance muito maior de ignorar uma chamada, mensagem de texto ou e-mail de golpe — mantendo seu dinheiro suado seguro. Precisamos também melhorar o compartilhamento oportuno de inteligência de ameaças entre os setores público e privado, para que táticas emergentes de golpes possam ser interrompidas mais rapidamente.
Proteção Preventiva
Finalmente, devemos fornecer às autoridades os recursos necessários para identificar, investigar e processar as organizações criminosas sofisticadas por trás desses esquemas. Através de nossa Unidade de Crimes de Colarinho Branco e Cibernéticos, estamos em parceria com oficiais locais, estaduais e federais para interromper esquemas de Business Email Compromise e liderando a carga em investigações de golpes de criptomoedas, mas há mais trabalho a ser feito. Devemos continuar a fortalecer esses esforços — apoiando unidades estaduais e locais de cibercrime para que possamos desmantelar redes criminosas em larga escala, interceptar fundos e ajudar vítimas. Por gerações, a proteção ao consumidor focou em responsabilizar os criminosos após o dano ocorrer. Esse trabalho continua essencial, mas a próxima geração de proteção ao consumidor deve também focar na prevenção de danos antes que aconteçam. Os golpes de hoje são empreendimentos criminosos coordenados e multi-estágio que exploram uma economia digital interconectada e nossa inclinação humana para confiar. Nossa resposta deve ser igualmente coordenada. Se o governo, a indústria e as forças de segurança fortalecerem as partes do ecossistema que estão mais bem posicionados para proteger — e trabalharem juntos para fechar as lacunas entre eles — podemos deter os golpes antes que os consumidores percam seu dinheiro. O sucesso não será medido apenas pela quantidade de dinheiro que recuperamos após um golpe. Será medido por quantas pessoas nunca se tornam vítimas. Esse deve ser o objetivo definidor da proteção moderna ao consumidor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune



