A subida íngreme em direção ao Getty Center, em Los Angeles, sempre foi um preâmbulo necessário para o encontro com a arte. Desde 1997, o trajeto em um tram automatizado serve como um ritual de transição, separando o caos urbano da Califórnia da serenidade meditativa do complexo desenhado por Richard Meier. Agora, a instituição prepara uma mudança estrutural que promete redefinir essa jornada, transformando o que era um ponto de passagem funcional em um destino arquitetônico por si só.
A nova arquitetura do fluxo
O projeto de modernização, que culminará na reabertura em 2028, coloca a experiência do visitante no centro da estratégia. Frank Gehry, através de seu escritório Gehry Partners, assume a missão de redesenhar a estação inferior, transformando-a em um espaço permeado por jardins e estruturas escultóricas. A intervenção busca suavizar o impacto da espera, integrando o paisagismo de OLIN a uma nova rede de serviços que inclui cafés e espaços expositivos ao ar livre.
O diálogo entre o novo e o legado
Manter a integridade da visão original de Meier enquanto se responde às demandas de 1,4 milhão de visitantes anuais é o desafio central. A WHY Architecture, liderada por Kulapat Yantrasast, foca seus esforços no Welcome Hall, o ponto de chegada no topo da colina. Ao introduzir sistemas de wayfinding mais intuitivos e áreas sociais expandidas, a firma busca criar uma recepção que não apenas organiza o fluxo, mas que convida o público a um estado de contemplação antes mesmo do primeiro passo nas galerias.
Eficiência e infraestrutura invisível
Por trás da estética, reside uma necessidade técnica premente. A substituição do sistema de tram por tecnologia da Doppelmayr visa não apenas aumentar a capacidade, mas garantir a longevidade operacional do campus. Paralelamente, as melhorias nos sistemas de climatização e eficiência energética refletem um compromisso com a sustentabilidade que transcende a fachada, alinhando a infraestrutura de um museu do século passado aos padrões exigidos pela gestão cultural contemporânea.
O futuro da experiência cultural
O período de fechamento, previsto para março de 2027, marca um hiato necessário para que a instituição se reinvente. A questão que permanece é como a arquitetura pode moldar o comportamento coletivo em espaços de alta demanda. Enquanto o Getty se prepara para o futuro, o projeto levanta reflexões sobre o equilíbrio entre a preservação de monumentos e a adaptação constante necessária para que o patrimônio continue a ser um lugar vivo, e não apenas um arquivo estático de memórias.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Designboom





