A Gotiva, empresa de tecnologia do Grupo Interjato, anunciou o lançamento de sua nova plataforma de inteligência artificial (IA) voltada para o setor jurídico. A solução foi desenvolvida com o objetivo de se integrar diretamente aos sistemas já utilizados pelo Judiciário brasileiro, como PJe, Projudi, SAJ e e-Proc. O lançamento, que ocorrerá durante a ExpoJud 2026 em Brasília, sinaliza uma nova fase na aplicação de IA no ambiente judicial, com foco em funcionalidades que vão além da geração de texto.
A plataforma da Gotiva propõe uma abordagem de "camada de inteligência" integrada aos processos e documentos institucionais. Diferentemente de ferramentas isoladas de IA generativa, a solução busca incorporar mecanismos de governança, segurança e memória institucional. Através do Modelo Nacional de Interoperabilidade (MNI), a tecnologia se conecta aos principais sistemas processuais do país. Essa integração é crucial, pois permite que a IA opere sobre dados já existentes nos ambientes institucionais, minimizando a necessidade de transferir informações para plataformas externas e garantindo maior segurança e conformidade.
Mecanismos de IA e Rastreabilidade
A arquitetura multimodelo da plataforma é um de seus diferenciais. Ela permite a utilização de diferentes modelos de IA para tarefas específicas, como análise documental, pesquisa jurídica, classificação processual e geração assistida de textos. Essa flexibilidade evita a dependência de uma única tecnologia de IA e otimiza o desempenho para cada função. Um aspecto central do desenvolvimento foi a rastreabilidade das respostas. Ao interagir com a plataforma, os usuários podem obter não apenas a informação gerada pela IA, mas também a indicação precisa das fontes consultadas, incluindo o documento, a página e o trecho específico. Essa funcionalidade é fundamental para a área jurídica, onde a verificação da origem da informação é essencial para a tomada de decisão e a construção de argumentos.
Implicações para o Judiciário
A integração da plataforma Gotiva aos sistemas judiciários existentes tem implicações significativas para a eficiência e a segurança no setor. A capacidade de analisar processos, pesquisar legislação e jurisprudência, e auxiliar na elaboração de minutas jurídicas, tudo dentro do ambiente institucional, pode otimizar o tempo dos profissionais do direito. A sugestão de classes e assuntos processuais, baseada nas Tabelas Processuais Unificadas do CNJ, é outro exemplo de como a IA pode padronizar e agilizar procedimentos. A proposta de Erich Rodrigues, CEO do Grupo Interjato, é clara: aproximar a IA das rotinas efetivas das instituições, transformando-a em parte da infraestrutura de trabalho, e não em um ambiente paralelo.
Governança e Segurança de Dados
A proteção de dados é um pilar da plataforma Gotiva. A empresa implementou mecanismos de criptografia, controle de acesso, gestão de usuários e registros auditáveis. Para lidar com informações sensíveis, como CPF e RG, a plataforma prevê a anonimização de dados pessoais identificadores antes do processamento por modelos externos de IA. Isso garante que informações confidenciais permaneçam protegidas, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Resolução CNJ nº 615/2025. É importante notar que os documentos das instituições clientes não são utilizados para o treinamento dos modelos de IA, um ponto crucial para a confiança e a segurança jurídica.
O Futuro da IA no Setor Jurídico
A Gotiva posiciona sua plataforma como a próxima etapa na adoção de IA pelo sistema de Justiça: a integração profunda às rotinas institucionais. A empresa acredita que o futuro da IA no setor jurídico não reside em ferramentas isoladas, mas em soluções que se tornem parte integrante da infraestrutura de trabalho. Isso exige não apenas a capacidade de pesquisar, analisar e produzir com rastreabilidade, mas também governança robusta, segurança de dados e supervisão humana. A plataforma busca atender a essa demanda, oferecendo uma infraestrutura de inteligência artificial confiável e integrada para o trabalho jurídico.
A iniciativa da Gotiva reflete uma tendência crescente de especialização da IA para setores específicos, buscando soluções que compreendam as nuances e os requisitos regulatórios de cada área. A aposta na integração e na rastreabilidade sugere um caminho promissor para a adoção da IA no Judiciário brasileiro, onde a confiança e a precisão são primordiais. A forma como outras instituições judiciárias e escritórios de advocacia responderão a essa oferta integrada e segura de IA para o trabalho jurídico será um ponto a ser observado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





