Empresas de médio porte no Brasil estão descobrindo que a estruturação de uma governança corporativa robusta é um diferencial decisivo para o sucesso em transações de fusões e aquisições (M&A). O movimento de consolidação no chamado middle market, caracterizado por negócios que buscam acelerar o crescimento e ganhar escala, tem na profissionalização da gestão a engrenagem fundamental para atrair capital e parceiros estratégicos. A governança, muitas vezes subestimada em prol de outras prioridades, emerge como a base que confere previsibilidade e reduz riscos, fatores diretamente ligados à capacidade de uma empresa capturar um valuation mais elevado e, por vezes, simplesmente viabilizar a operação.

Governança como motor de M&A

O cenário de M&A no Brasil tem demonstrado que a qualidade da estrutura de gestão, a clareza dos controles internos e a solidez dos acordos societários são determinantes para o avanço de negociações. Empresas que investem em governança corporativa antes de buscar investidores ou compradores demonstram maior maturidade e organização. Isso se traduz em maior interesse por parte de fundos de private equity, investidores estratégicos e até mesmo bancos, que buscam mitigar riscos e garantir a sustentabilidade do negócio pós-aquisição. A governança, nesse contexto, deixa de ser vista como mera burocracia e passa a ser entendida como um elemento estratégico que confere previsibilidade e reduz a incerteza, tornando a empresa um ativo mais seguro e valioso.

O tripé da sustentabilidade empresarial

A combinação de inovação, governança e resiliência forma um tripé essencial para o crescimento sustentável de médias empresas. Dentre esses pilares, a governança corporativa atua como a força motriz que organiza e viabiliza os demais. Um conselho de administração ou consultivo ativo, comitês temáticos bem definidos, um acordo de sócios detalhado e a clara separação entre o patrimônio pessoal e o empresarial são exemplos de práticas que fortalecem a estrutura de gestão. Essa profissionalização é crucial, especialmente em empresas familiares ou de primeira geração, onde a dependência do fundador pode limitar o potencial de escalabilidade. A governança permite que a empresa se torne um ativo mais robusto, menos dependente de indivíduos e mais preparado para o longo prazo.

Implicações para o mercado brasileiro

No contexto brasileiro, a profissionalização da governança corporativa em médias empresas tem implicações significativas. Ela não apenas facilita a atração de capital estrangeiro e nacional, mas também prepara o terreno para a sucessão e a perpetuação dos negócios. A agenda ESG, cada vez mais relevante, encontra na governança seu ponto de partida. É a governança que assegura o acompanhamento de métricas ambientais, a implementação de políticas sociais e a mitigação de riscos reputacionais. Sem uma estrutura decisória clara e prestação de contas, a agenda ESG se fragiliza. Portanto, investir em governança é, fundamentalmente, um exercício de visão de longo prazo que prepara a empresa para os desafios e oportunidades do mercado.

Perguntas em aberto e o futuro

Ainda que o avanço da governança corporativa em médias empresas brasileiras seja notável, persistem desafios. A adaptação de modelos de governança a diferentes portes e setores, a resistência cultural a novas práticas e a necessidade de capacitação contínua de gestores e conselheiros são pontos que merecem atenção. O mercado continuará a demandar estruturas de gestão cada vez mais transparentes e eficientes. A capacidade de uma empresa em demonstrar solidez em sua governança será, cada vez mais, um fator determinante para seu acesso a capital e para o sucesso em operações de M&A, moldando o futuro do middle market no país.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside