O Modelo de Habitação Social das Ilhas Baleares, na Espanha, foi anunciado como o vencedor do OBEL Award de 2026. A honraria, que neste ciclo teve como tema "Systems' Hack" (ou hackeamento de sistemas), reconheceu a abordagem desenvolvida pelo economista Cris Ballester e pelo arquiteto Carles Oliver.
A tese central, conforme entrevista ao ArchDaily, é de que a qualidade do design é uma ferramenta indispensável para a coesão social. A frase que resume a filosofia é direta: "se você constrói habitação social feia, você cria problemas sociais", desafiando a noção de que moradia popular deve se ater apenas ao mínimo funcional.
Um hack no sistema, não na tecnologia
O "hack" proposto pelo modelo das Baleares não envolve um aplicativo ou uma nova tecnologia, mas uma reconfiguração das regras do jogo da habitação pública. A abordagem se baseia em seis pilares integrados: processos de aquisição, arquitetura, escolha de materiais, eficiência energética, modelo de posse e capacitação do setor público.
Na prática, isso significa pensar o projeto de forma holística. Em vez de otimizar apenas o custo da construção, o modelo busca gerar "valor adicional e conforto", considerando o ciclo de vida do edifício, o impacto ambiental dos materiais e a criação de espaços que promovam um senso de comunidade e dignidade.
O valor do desejável
A iniciativa espanhola ataca um problema crônico da habitação de interesse social em todo o mundo: a estigmatização. Ao focar em criar moradias que não são apenas acessíveis, mas também desejáveis, o modelo busca quebrar o ciclo de degradação e isolamento que frequentemente aflige esses empreendimentos.
Isso passa por decisões arquitetônicas que priorizam ventilação e iluminação natural, o uso de materiais locais de baixo impacto e a criação de espaços comuns que incentivem a interação. A premissa é que um ambiente bem projetado não é um luxo, mas um fator determinante para o sucesso social e econômico de seus residentes a longo prazo.
O prêmio joga luz sobre uma discussão fundamental, com ecos diretos no Brasil. O modelo das Baleares oferece um contraponto à visão puramente quantitativa do déficit habitacional, sugerindo que a solução não está apenas em construir mais, mas em construir melhor. A arquitetura, aqui, retoma seu papel como agente de transformação social.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ArchDaily





