A Heven AeroTech, uma startup de defesa com sede na Virgínia, está apostando em uma abordagem inovadora para o futuro da guerra aérea: drones movidos a hidrogênio projetados para serem robustos e reutilizáveis, servindo como plataformas ideais para armas a laser de alta energia. Ben Levinson, fundador e CEO da Heven, descreve a filosofia da empresa como "mentalidade de pickup truck", focada em "mãe-naves" capazes de transportar cargas úteis específicas para missões em longas distâncias, com baixo ruído e assinatura térmica, graças às suas células de combustível a hidrogênio.
A Visão de Levinson para Drones
Levinson fundou a Heven em agosto de 2019, inspirado por sua experiência como comandante de infantaria nas Forças de Defesa de Israel, onde testemunhou ataques incendiários com balões e pipas vindos de Gaza. Inicialmente, ele desenvolveu drones para rastrear incêndios e, posteriormente, para combatê-los. Percebendo as limitações dos drones de câmera pequenos, Levinson focou em capacidades de "carga pesada". A convicção de que "os céus estão abertos" o levou a acreditar no potencial dos drones como "robôs voadores" mais do que meras câmeras, capazes de processar e agir sobre informações de forma autônoma.
O Desafio da Energia e a Solução a Hidrogênio
A Heven inicialmente explorou drones de carga pesada de curto alcance, mas logo identificou um "gap de energia" para missões de longa duração. Soluções de energia existentes não ofereciam a densidade energética necessária. Levinson aponta para a frota de drones MQ-9 Reaper dos EUA, que sofreu perdas significativas em conflitos recentes, como um exemplo da necessidade de capacidades de baixa assinatura. A solução encontrada pela Heven reside nas células de combustível a hidrogênio. "É basicamente um drone elétrico, mas criamos eletricidade no céu tendo uma pequena quantidade de hidrogênio, menos de 1 libra, em um tanque de alta pressão que vai para uma célula de combustível", explica Levinson. Esse sistema elimina a combustão, o ruído e a assinatura térmica, permitindo 10 a 15 horas de voo e alcances de 100 a 500 quilômetros.
Plataformas para Armas a Laser
O sistema Z1 da Heven é o único sistema movido a hidrogênio certificado pelo Blue UAS no arsenal do Pentágono. A empresa anunciou uma captação de US$ 100 milhões em sua Série B em dezembro de 2025, com uma avaliação de US$ 1 bilhão, para atender à crescente demanda de comandos especiais dos EUA e forças aliadas. A abordagem da Heven de "mãe-naves" reutilizáveis pode coincidir com o momento certo para o Pentágono. O Departamento de Defesa dos EUA tem investido em demonstradores de tecnologia de laser para testes aéreos, buscando superar falhas em projetos anteriores como o SHiELD e o AHEL. O Tenente-General Heath Collins, diretor da Agência de Defesa de Mísseis dos EUA, declarou que a organização está "totalmente comprometida" em "trazer capacidades de energia direcionada potencialmente transformadoras para uma plataforma não tripulada" para defesa aérea contra drones e mísseis hostis.
Implicações e o Futuro da Defesa Aérea
Embora muitos esforços anteriores em armas a laser aéreas tenham se concentrado em plataformas tripuladas maiores, o Pentágono busca sistemas montados em drones há mais de duas décadas com sucesso limitado. A iniciativa HELLADS, iniciada em 2003, é um exemplo. A aposta da Heven em drones a hidrogênio como plataformas versáteis para armas a laser pode representar um avanço significativo, oferecendo a resistência e a discrição necessárias para as operações de defesa aérea do futuro. A capacidade de operar por longos períodos com baixa assinatura torna essas plataformas ideais para carregar e operar armas de energia direcionada, um campo em que o Pentágono tem demonstrado forte interesse.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





