A startup finlandesa Hyperion Robotics levantou €6,4 milhões em uma rodada de crescimento para escalar seu modelo de manufatura robótica para a construção de infraestrutura. O aporte foi coliderado pelo fundo Course Corrected e pelo European Innovation Council (EIC) Fund, braço de venture capital da União Europeia.
O investimento sinaliza a crescente busca por soluções que enderecem a baixa produtividade e a alta pegada de carbono da construção civil. A tese da Hyperion é substituir o canteiro de obras tradicional, intensivo em mão de obra e materiais, por microfábricas robotizadas que produzem componentes de concreto sob demanda, próximo aos projetos.
Do canteiro à microfábrica
A abordagem da Hyperion ataca um problema estrutural. A Europa enfrenta um ciclo de renovação de sua infraestrutura — de redes de energia a sistemas de saneamento — ao mesmo tempo em que lida com escassez de mão de obra e metas de descarbonização. A construção tradicional, com seus processos artesanais e desperdício, mostra-se inadequada para o desafio.
A solução da startup combina impressão 3D em larga escala com uma plataforma de software proprietária, a Forge, que integra do design à operação fabril. A empresa afirma que seu método utiliza até 75% menos material e reduz as emissões de carbono em até 70% em comparação com o concreto convencional, entregando os projetos até três vezes mais rápido.
Uma aposta em 'IA Física'
Para os investidores, a Hyperion representa uma aposta na digitalização de uma das indústrias mais analógicas do mundo. "Eles estão revolucionando o processo de construir infraestrutura", afirmou Katja Bergman, sócia da Course Corrected. O CEO da Hyperion, Fernando De los Rios, chama a abordagem de "IA Física", onde software e robôs se unem para transformar a infraestrutura em um produto manufaturado.
O capital será usado para lançar a primeira unidade no Reino Unido, a Forge I, em parceria com a mineradora LKAB, e para expandir a presença nos mercados europeus. Com clientes como National Grid e Costain, a startup já possui validação em projetos de grande porte. O desafio agora é provar que o modelo de microfábricas é escalável e pode, de fato, industrializar a construção.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ArcticStartup





