Um ponto une dois fragmentos de tecido. Outro reforça a união. Em sequência, formam uma costura que pode criar algo novo ou remendar o que se partiu. É nessa dualidade — reparo e reinvenção — que reside a força da arte têxtil, uma prática ancestral que ganha novos contornos na contemporaneidade.
O tecido como linguagem
Esta é a premissa de 'The Cold Stitch', que ocupa a Scandinavia House em Nova York. A exposição reúne artistas da Noruega, Islândia, Suécia, Finlândia e Dinamarca, explorando o tecido não como material, mas como linguagem. Através de bordado, tecelagem e colagem, as obras ecoam um propósito renovado. Em muitas delas, tecidos descartados, roupas e restos de fios ganham novo significado, transformando resíduo em veículo para narrativas pessoais, reflexões políticas e a preservação da memória.
Um ponto contra a entropia
O título, 'The Cold Stitch' (O Ponto Frio), evoca a tradição das culturas do Norte, onde o trabalho têxtil sempre foi forma de resistência. O ponto é um ato deliberado contra a dispersão e o esquecimento. Ele une fragmentos e histórias, permitindo que as cicatrizes do tempo permaneçam visíveis, mas integradas a um novo todo. A costura funciona como um registro: um mapa de remendos que conta uma história de resiliência, cuidado e transformação.
Num mundo acelerado e focado no descarte, o gesto lento de costurar emerge como um ato político. A exposição não oferece respostas, mas deixa uma imagem potente: a de uma agulha que, ponto a ponto, insiste em remendar um mundo fragmentado, mostrando que na reparação pode haver tanta beleza quanto na criação.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hyperallergic





