A inteligência artificial agêntica (IA agêntica) tem se consolidado como uma ferramenta cada vez mais presente nas operações empresariais, especialmente no atendimento ao cliente. Contudo, a capacidade de um agente de IA em manter uma conversa fluida ou acessar informações básicas já não representa o principal desafio. A distinção entre projetos experimentais e aplicações eficazes reside na habilidade desses agentes em levar uma demanda do cliente à sua completa resolução.

As automações de atendimento ao cliente que conhecemos hoje evoluíram de sistemas que respondiam a perguntas pré-definidas ou guiavam usuários por fluxos de navegação. Com o avanço da IA agêntica, surgem sistemas dotados de compreensão contextual, memória de longo prazo, capacidade de consultar diversas fontes de conhecimento e, crucialmente, de executar ações em sistemas corporativos. Um cliente que necessita de uma segunda via de documento, deseja alterar uma reserva ou reagendar um serviço não deve mais se contentar com meras instruções. O agente de IA, neste novo cenário, é capaz de acessar os sistemas pertinentes, consultar dados, executar as etapas necessárias e finalizar a solicitação, alterando fundamentalmente a lógica da automação para a resolução efetiva.

O Foco na Resolução de Demandas

O principal indicador para avaliar a performance de um agente de IA é, portanto, sua capacidade de concluir uma tarefa. Se um cliente interage com uma inteligência artificial, mas, ao final, precisa buscar um atendente humano, repetir informações já fornecidas ou realizar parte do processo por conta própria, a interação pode ter sido automatizada, mas a demanda não foi resolvida. Experiências onde o consumidor precisa reiterar dados durante a mesma interação, ou onde o histórico de contatos anteriores não é considerado, geram esforço desnecessário e frustração. A IA agêntica combina a memória da interação atual com dados históricos de contatos e informações disponíveis nos sistemas da empresa. No entanto, memória e capacidade de conversação, por si só, não garantem a resolução.

Integração e Escolha de Casos de Uso

Para que uma demanda seja resolvida de ponta a ponta, esses agentes precisam estar integrados às ferramentas operacionais da empresa, como sistemas de CRM (Customer Relationship Management), ERP (Enterprise Resource Planning), sistemas internos, APIs e plataformas de automação. Essa integração é o que permite que a conversa se traduza em ação concreta. Outro desafio significativo reside na seleção dos casos de uso adequados. A crescente facilidade no desenvolvimento de aplicações de IA pode levar empresas a automatizar processos apenas pela disponibilidade da tecnologia, um caminho que frequentemente resulta em desperdício de tempo, esforço e investimento. Antes de implementar um agente, é fundamental analisar quais demandas representam um volume considerável para a operação, quais geram maior esforço para o cliente, quais têm potencial de resolução tecnológica e qual o retorno esperado.

Análise de Dados e Otimização de Custos

Os próprios dados de atendimento são valiosos para embasar essa decisão. A análise de grandes volumes de interações entre consumidores e atendentes permite identificar temas recorrentes, etapas repetitivas e demandas com potencial de automação, além de estimar o impacto antes da priorização de um projeto. Em vez de questionar "onde podemos aplicar IA?", as organizações devem focar em "onde existe um problema que a IA pode resolver?". Uma variável que ganha importância à medida que agentes de IA se tornam mais autônomos é o custo de operação. Cada interação pode envolver modelos de linguagem, consultas a sistemas, APIs e processamento de voz, com a duração da conversa e a quantidade de consultas impactando diretamente a equação econômica. Nem sempre é viável utilizar a mesma tecnologia para todas as atividades; diferentes modelos podem ser adotados conforme a complexidade e a necessidade de cada tarefa, considerando custo, desempenho e tempo de resposta. Pequenas decisões de arquitetura podem ter um impacto significativo na viabilidade econômica quando milhares ou milhões de interações são processadas.

Monitoramento e Avaliação Contínua

Se agentes de IA executam ações em nome das empresas, seu monitoramento torna-se tão crucial quanto seu desenvolvimento. Isso exige o acompanhamento de indicadores de desempenho, tempos de resposta, taxas de erro, resolutividade e comportamento das aplicações. Testes em diferentes cenários antes da implementação em produção e a avaliação contínua após a implantação são essenciais. Simular grandes volumes de interações com variações na forma como um cliente faz uma solicitação ajuda a identificar como o agente responde a diferentes situações e se os critérios organizacionais são cumpridos. Essa lógica se assemelha à gestão da qualidade do atendimento humano, com a diferença de que, com IA, parte desse processo pode ser automatizada, ampliando a capacidade de avaliação em escala. Quanto maior a autonomia concedida a esses sistemas, maior deve ser a capacidade da organização de monitorá-los e avaliá-los.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside