O ano de 2026 consolidou a inteligência artificial (IA) não apenas como uma ferramenta de otimização técnica, mas como um pilar estratégico fundamental para a sustentabilidade dos modelos de negócios. A rápida disseminação da IA, que agora alcança todos os usuários e não se restringe mais ao setor de TI, impõe um novo paradigma de eficiência corporativa. A questão central para a alta liderança é como integrar essas tecnologias de forma a resolver as dores do setor e mitigar riscos operacionais crescentes, garantindo que os investimentos em IA gerem retorno real e seguro.
A visão predominante é que a IA representa um salto qualitativo em relação a tecnologias anteriores. "A inteligência artificial é diferente das tecnologias que vinham aparecendo e que eram focadas essencialmente para o setor de TI, para melhorar performance, para ganhar escala, ganhar produtividade. Hoje é diferente, pois ela chegou até a mão de todos os usuários", afirma Andriei Gutierrez, Presidente da ABES. Essa democratização da IA exige uma mudança de mentalidade, saindo da percepção de simples ferramenta para a de um componente estratégico que deve ser olhado com foco nos resultados para empresas e para o setor de software como um todo. O ano de 2026, marcado por um retorno sobre investimento visível no uso da IA, impulsionado pela automação via IA agêntica e por aportes significativos, sinaliza que a exposição das companhias no mercado agora depende diretamente de sua capacidade de converter essa automação em valor tangível e protegido.
A Nova Fronteira da Eficiência: Soberania Digital e Resiliência
A estratégia que emerge para navegar neste cenário complexo defende a soberania digital competitiva. Essa abordagem combina o fortalecimento da tecnologia nacional com a integração criteriosa de soluções internacionais, ao mesmo tempo em que combate as vulnerabilidades de cibersegurança, especialmente nas pequenas e médias empresas. O cerne dessa estratégia reside em uma aplicação conceitual que prioriza a governança e a cultura digital, recusando a visão de softwares e plataformas como meras commodities. Ao adotar esse modelo, parceiros e empresas colhem benefícios claros, como o aumento da resiliência operacional, a redução do atrito nos processos e o fortalecimento da confiança no ambiente digital. A busca por essa maturidade institucional não apenas mitiga riscos operacionais, mas também estabelece bases sólidas para que corporações de todos os portes prosperem em um mercado em constante e acelerada transformação.
O Desafio da Maturidade: IA Agêntica e Visão Ecossistêmica
Gutierrez alerta para o perigo de se focar excessivamente na IA agêntica sem considerar o quadro geral. "2026 foi o primeiro ano que as empresas começaram a ver ROI no uso de inteligência artificial. Mas precisamos tomar cuidado para não nos inebriarmos com a IA agêntica e não pensarmos no todo", adverte. A verdadeira maturidade digital, segundo ele, reside na capacidade de ir além da automação de processos e adotar uma visão ecossistêmica e transversal. Ignorar essa perspectiva amplia o risco de as empresas serem ultrapassadas pelo mercado. A consolidação da maturidade digital, portanto, exige uma estrutura de governança robusta para gerir os ativos tecnológicos e sustentar o crescimento institucional com estabilidade. O valor corporativo é cada vez mais mensurado pela eficiência com que uma organização gerencia riscos e adapta suas metodologias a um ambiente em constante evolução, assegurando a continuidade sustentável de suas operações.
Governança e Execução: O Caminho para a Transformação Digital
A evolução do setor e a garantia de um ecossistema produtivo dependem intrinsecamente do fortalecimento da governança e da integração entre as diretrizes públicas e privadas. O desafio atual, apontado por Gutierrez, é que a transformação digital do Brasil parece estar "à deriva, sem um sentido claro". Embora existam planos como o Programa Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA), a mera existência de bons planos não é suficiente. É necessária uma governança na execução que seja centralizada e politicamente empoderada. Essa governança politicamente empoderada e centralizada é vista como crucial para direcionar efetivamente os esforços e garantir que a adoção da IA e a transformação digital ocorram de maneira coesa e eficaz em todo o ecossistema nacional.
Perguntas em Aberto e o Futuro da IA nos Negócios
Diante desse cenário, permanecem questões importantes sobre a velocidade e a profundidade com que as empresas brasileiras conseguirão implementar essa mudança de mentalidade e adotar uma governança eficaz. A capacidade de integrar a IA de forma estratégica, sem se perder em sua complexidade ou focar apenas na automação, será o diferencial. Observar como as políticas públicas e privadas se alinharão para criar um ambiente propício à inovação e à segurança digital será fundamental. A forma como a liderança corporativa responderá a esses desafios definirá não apenas a resiliência de suas operações, mas também sua relevância e competitividade no cenário global.
A transição para um modelo de negócios centrado na IA exige mais do que a adoção de novas tecnologias; demanda uma redefinição cultural e estratégica. A jornada para a maturidade digital, com foco em governança e visão ecossistêmica, é o caminho para extrair valor real e seguro, garantindo a sustentabilidade e a prosperidade em um mercado cada vez mais dinâmico e desafiador. A forma como o Brasil navegará essa transformação, alinhando esforços públicos e privados, será determinante para o futuro de seu ecossistema tecnológico e empresarial.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





