A inteligência artificial (IA) se consolidou como uma força transformadora no mundo corporativo, prometendo otimização de processos e novas fronteiras de inovação. Contudo, o avanço acelerado dessa tecnologia impõe um dilema: como equilibrar a busca por ferramentas disruptivas com a necessidade de governança, controle de custos e alinhamento estratégico? Para a Suhai Seguradora, a resposta reside em uma abordagem criteriosa, onde o momento e o nível de aplicação da IA são determinantes para o sucesso empresarial, e não a simples adoção de algoritmos complexos.

Vinicius Bufoni, Diretor de TI da Suhai Seguradora, compartilhou essa visão durante o TI Inside Innovation Forum 2026. Ele ressaltou que o principal desafio das corporações não é o acesso a tecnologias de IA, mas sim a capacidade de integrá-las de forma eficaz aos padrões de negócios existentes. "Um dos desafios envolve falar de uma estrutura tecnológica bem-organizada e alinhada com nossos padrões corporativos antes de pensarmos efetivamente na aplicação da ferramenta. Isso será essencial para um uso eficiente", afirmou Bufoni. A premissa é clara: a inovação deve ser precedida por uma base sólida de governança e planejamento estratégico.

O Equilíbrio Entre Automação e IA

A dinâmica atual do atendimento ao cliente é um exemplo prático dessa filosofia. Bufoni observou que uma parcela significativa das demandas corporativas não exige o uso de algoritmos de inteligência artificial altamente sofisticados. Em muitos casos, automações tradicionais, como bots mais simples, são suficientes para resolver a maioria dos fluxos operacionais. Essa constatação levou a Suhai a priorizar a identificação do nível de inteligência adequado para cada ponto de contato com o cliente.

"Um exemplo visível veio do nosso próprio negócio, em que percebemos que 80% dos nossos processos de atendimentos aos clientes podiam ser resolvidos por um bot simples, sem necessariamente a aplicação de uma Inteligência Artificial demasiadamente robusta", detalhou o executivo. Essa análise permitiu que a empresa direcionasse investimentos em IA para áreas onde ela realmente agregaria valor superior, evitando o desperdício de recursos em soluções excessivas. Saber o momento e o nível certo de usar a IA tornou-se, portanto, um pilar fundamental para a eficiência operacional e a sustentabilidade financeira.

Estratégia de Letramento e Governança

Para navegar nessa complexidade e garantir que a adoção de novas tecnologias seja eficiente, a Suhai Seguradora implementou uma estratégia multifacetada. Essa abordagem combina o letramento corporativo contínuo com uma governança de dados madura, integrando as áreas de TI e Recursos Humanos no desenvolvimento de trilhas de capacitação abrangentes. O objetivo é construir um aculturamento técnico que permita aos colaboradores entenderem e aplicarem as ferramentas de forma adequada.

Essa metodologia envolve testar soluções em ambientes produtivos e controlados antes de qualquer decisão de escalabilidade operacional. Ao focar na conscientização e no treinamento, a empresa busca não apenas melhorar a qualidade do serviço prestado, mas também aumentar a resiliência de seu ecossistema de atendimento. O direcionamento da tecnologia correta para a complexidade exata da demanda resulta em respostas mais ágeis, redução do atrito com o cliente e fortalecimento da eficiência operacional, elementos cruciais em um mercado digital em constante oscilação.

Preparo para o Futuro Dinâmico

O futuro do cenário tecnológico, especialmente no campo da IA, exigirá das empresas uma capacidade de adaptação e dinamismo sem precedentes. A velocidade com que novas plataformas e ferramentas surgem no ecossistema global demanda mais do que agilidade na implementação; requer a capacidade de entender profundamente cada nova tecnologia e, crucialmente, de discernir quando ela deixa de entregar os frutos esperados.

"Amanhã surgirá outra tecnologia mais nova e em pouco tempo virão mais três ferramentas ainda mais inovadoras", ponderou Bufoni. "Nesse sentido, nosso objetivo não é sermos apenas rápidos na implementação, mas ágeis no entendimento dessa ferramenta e, principalmente, entendermos quando ela não estiver rendendo os frutos adequados para a empresa, e assim direcionar esses investimentos para outras estruturas." Essa visão prospectiva sugere que a gestão inteligente de recursos e a capacidade de reavaliação contínua serão tão importantes quanto a adoção inicial de novas tecnologias de IA. A inteligência, nesse contexto, não está apenas na ferramenta, mas na sabedoria de seu uso.

A jornada da Suhai Seguradora ilustra um caminho pragmático para a adoção de IA: um foco na aplicação precisa e estratégica, em vez de uma corrida pela implementação indiscriminada. O sucesso futuro dependerá da capacidade das empresas de discernir o momento certo e a profundidade adequada para integrar essas poderosas ferramentas em suas operações.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside