O Ibovespa iniciou a semana em terreno negativo, refletindo a volatilidade provocada pela escalada de tensões militares entre os Estados Unidos e o Irã. Por volta das 10h10, o principal índice da bolsa brasileira operava em leve queda de 0,10%, aos 173.620,91 pontos, enquanto o mercado de commodities reagia prontamente ao aumento do risco global.

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio, marcada por ataques a instalações militares, impulsionou os preços do petróleo. Os contratos do Brent para agosto subiam 2,10%, cotados a US$ 93,03 o barril, enquanto o WTI avançava 2,58%, para US$ 89,59. O movimento reflete a incerteza sobre o fornecimento global e a segurança no Estreito de Ormuz.

Geopolítica e o risco de sanções

O cenário de tensão não se limita às fronteiras do Oriente Médio. O governo brasileiro, por meio do ministro da Fazenda, Dario Durigan, monitora de perto as implicações da decisão dos EUA de classificar facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas internacionais. A medida gera um alerta sobre possíveis sanções a instituições financeiras brasileiras pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

Durigan destacou que a designação pode impactar operações cambiais e até o uso do Pix, caso bancos sejam impedidos de operar em dólares. A diplomacia brasileira busca esclarecimentos em Washington para evitar que a medida, classificada pelo ministro como extravagante, gere riscos sistêmicos ao sistema financeiro nacional. O governo tenta equilibrar a cooperação no combate à lavagem de dinheiro com a preservação da soberania financeira.

Inflação e política monetária

Internamente, o Boletim Focus reforçou a cautela dos investidores. Economistas elevaram pela 12ª semana consecutiva as projeções para a inflação de 2026, com o IPCA estimado em 5,09%, superando o teto da meta. A persistência inflacionária mantém a curva de juros em patamares elevados, com a Selic projetada em 13,25% para o mesmo período.

O mercado de câmbio, por sua vez, apresenta sinais mistos. Apesar das pressões externas, a estimativa para o dólar ao fim de 2026 recuou levemente, de R$ 5,17 para R$ 5,16, indicando uma expectativa de resiliência do real. A elevação marginal da projeção do PIB para 1,90% oferece um contraponto moderado ao cenário de aperto monetário.

Eleições e polarização

O cenário político doméstico também entra no radar dos investidores. Pesquisa RealTime Big Data indica a liderança de Lula na corrida presidencial, mas aponta um eleitorado cansado da polarização. A volatilidade política, somada às incertezas sobre a condução da economia, adiciona uma camada extra de cautela para o alocador de ativos no Brasil.

Perspectivas para o mercado

O futuro das negociações nucleares entre EUA e Irã permanece como a variável mais crítica para o preço das commodities. A resistência de Teerã em descartar materiais nucleares sugere que a tensão no Estreito de Ormuz pode se prolongar, mantendo o prêmio de risco no petróleo elevado por tempo indeterminado.

O mercado aguarda agora os desdobramentos das reuniões entre as autoridades brasileiras e americanas. A capacidade do governo em negociar os termos das sanções será determinante para evitar ruídos desnecessários no setor bancário e no fluxo de capitais estrangeiros.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times