A paisagem da liderança empresarial está em constante mutação, impulsionada tanto por evoluções internas quanto por pressões externas. Atualmente, a inteligência artificial (IA) emerge como um dos principais catalisadores dessas transformações, forçando executivos a repensar modelos de gestão, a relação com as equipes e a própria natureza do trabalho. Membros do Fast Company Impact Council compartilham suas visões sobre as tendências que estão moldando a liderança hoje, com um foco particular na influência da IA.

Uma mudança fundamental observada é a transição de uma estrutura organizacional piramidal para um modelo mais horizontal e distribuído. Susan Watts, da SPACECRAFT, descreve essa evolução como a passagem de uma "pirâmide" para uma "torta", onde a expertise individual é valorizada e todos os membros têm voz ativa. O papel do líder, nesse cenário, deixa de ser de comando e controle para se tornar um facilitador, focado em fornecer clareza sobre valores e direção, e em confiar nas equipes para inovar e executar. A ideia é que as boas ideias possam surgir de qualquer "fatia" da organização.

Paralelamente, a criação de confiança emerge como um pilar essencial para navegar na incerteza inerente a um mundo em rápida mudança. Josh Rosenberg, da Day One Agency, destaca que líderes eficazes precisam cultivar relacionamentos de confiança para que as equipes possam enfrentar desafios juntas. Isso envolve escutar atentamente, conectar informações e gerar a energia necessária para que os colaboradores testem, aprendam e questionem pressupostos. O líder não precisa ter todas as respostas, mas sim a capacidade de engajar a equipe na busca por soluções.

A adaptação à tecnologia de inteligência artificial é, sem dúvida, uma das tendências mais impactantes. Erik Herrström, do STUDIO HERRSTRÖM, argumenta que a IA já faz parte da operação de todas as empresas, independentemente de sua adoção direta no dia a dia. A discussão não é mais sobre se a IA é benéfica ou prejudicial, mas sim sobre como ela altera setores, equipes e fluxos de trabalho. Líderes não precisam ser especialistas em cada nova ferramenta, mas devem ter um entendimento aprofundado e a disposição para se adaptar à medida que a tecnologia evolui.

Thomas Scott, da Wrike, reforça a necessidade de os executivos se manterem próximos aos fluxos de trabalho. Muitas estratégias de IA são formuladas com base em tendências de mercado, sem uma compreensão real de como o trabalho é executado atualmente ou onde os processos criam gargalos que a aceleração tecnológica pode expor. Líderes precisam estar sintonizados com suas equipes para entender a dinâmica do trabalho, incluindo os passos informais que o mantêm em movimento. Essa visão direta é crucial para identificar onde a IA pode gerar um impacto significativo e onde o julgamento humano ainda é indispensável.

Outra dimensão importante é a busca por um "triple bottom line" – que considera pessoas, planeta e prosperidade. Bo Zhao, do Baby Gear Group, aponta para líderes que integram o impacto social e ambiental aos sistemas centrais do negócio, em vez de relegá-lo a funções isoladas. Esses líderes e suas organizações são vistos como modelos para o futuro, provando que prosperidade e impacto positivo podem coexistir e se reforçar mutuamente.

Jacqui Canney, da ServiceNow, identifica o "desenvolvimento de julgamento em velocidade" como a próxima fronteira da liderança. A IA democratizou o acesso à informação, mas o desafio real reside na capacidade organizacional de absorver e adaptar-se às mudanças mais rapidamente do que o ambiente externo. Líderes bem-sucedidos criam condições para que humanos e IA colaborem, redesenhando o trabalho, reimaginando a força de trabalho e garantindo que as ferramentas e plataformas estejam prontas.

Michael Weening, da Calix, propõe um "sexto trabalho do gerente": mapear e aprimorar os fluxos de trabalho executados pela equipe, além das cinco funções tradicionais (definir metas, alinhar trabalho, treinar pessoas, remover obstáculos e julgar resultados). Ele exemplifica essa mudança com sua própria experiência em codificar e construir uma aplicação que roteava tarefas entre modelos de IA. A IA não elimina gestores, mas transforma o que eles gerenciam, focando no design, governança e melhoria contínua dos fluxos de trabalho colaborativos entre humanos e IA.

Essas tendências indicam um futuro onde a liderança será mais distribuída, focada na criação de confiança, adaptável à tecnologia e profundamente conectada à execução do trabalho. A inteligência artificial não é apenas uma ferramenta, mas um agente transformador que exige novas competências e modelos de gestão para prosperar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company