A Autoridade Garante da Concorrência e do Mercado (AGCM), órgão antitruste da Itália, iniciou uma investigação formal sobre a oferta pública de aquisição (OPA) do Intesa Sanpaolo pelo Monte dei Paschi di Siena (MPS), uma transação avaliada em €30,6 bilhões. A medida, reportada pela Forbes España, coloca sob escrutínio regulatório uma das mais ambiciosas movimentações para consolidar o fragmentado setor bancário do país.

A investigação não busca, a princípio, paralisar a compra, mas sim avaliar os efeitos da fusão sobre a concorrência em múltiplos mercados bancários e de seguros. Dada a escala das instituições envolvidas, o movimento da AGCM é um passo protocolar, mas cujos desdobramentos podem redefinir os termos do acordo.

Os pontos de atrito

Dois pontos centrais preocupam os reguladores. O primeiro é a estrutura societária resultante no mercado de seguros. A aquisição do MPS daria ao Intesa o controle de uma participação de 13,32% na seguradora Generali, via Mediobanca. A leitura da AGCM é que essa sobreposição poderia criar um conglomerado com mais de 50% de market share no segmento de gestão de patrimônio, um nível de concentração considerado problemático.

O segundo ponto de atrito refere-se aos "remédios" propostos pelo próprio Intesa para mitigar seu domínio. O banco se comprometeu a vender 635 agências para o concorrente Unipol, mas identificou apenas 445 delas. A autoridade exige clareza sobre o destino das 190 agências restantes, para garantir que a medida de desinvestimento seja efetiva e não apenas uma formalidade.

Enquanto isso, o MPS reagiu à oferta hostil com uma contraproposta para adquirir o Banco BPM e a Banca Generali, num movimento defensivo. A investigação da AGCM, portanto, não é apenas um obstáculo, mas um campo de batalha onde os contornos finais da futura paisagem bancária italiana serão negociados. O Intesa tem agora dez dias para apresentar suas posições e acalmar as preocupações do regulador.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España