Investidores estrangeiros demonstraram um renovado apetite por imóveis comerciais ao redor do mundo, ampliando suas áreas de busca e impulsionando o volume global de transações em 56% no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo dados da consultoria JLL, o montante investido atingiu US$ 59,2 bilhões, sinalizando uma recuperação e um ajuste de preços após um período de juros elevados que havia esfriado o mercado.

O protagonismo asiático e europeu

A Ásia emergiu como um dos principais polos de atração, com o volume de investimento estrangeiro em seu setor imobiliário comercial praticamente quadruplicando, alcançando US$ 19,3 bilhões. A Europa, que já se consolida como um destino de capital mais expressivo, registrou US$ 39,9 bilhões, um aumento de 31%. Esse crescimento reflete uma estratégia de diversificação e busca por retornos mais atrativos em um cenário global de incertezas e reajustes econômicos.

Cidades emergentes no radar

Embora a JLL não tenha detalhado dados específicos para a América Latina, cidades como São Paulo, Cidade do México, Buenos Aires e Santiago têm sido cada vez mais observadas por investidores internacionais. Roberto Patiño, diretor de Serviços de Portfólio da JLL, aponta que o capital estrangeiro busca destinos além das tradicionais "gateway cities" – mercados consolidados que, apesar de atraírem historicamente grande volume de capital, agora apresentam preços mais elevados que podem comprimir a rentabilidade dos imóveis.

Desafios e oportunidades no Brasil

No Brasil, a vantagem cambial para investidores com recursos em dólar é um fator atrativo. Contudo, a menor liquidez do mercado local e as incertezas regulatórias representam desafios significativos para aqueles que necessitam de uma saída clara para seus investimentos. A instabilidade nas regras do jogo pode ser um impeditivo para a entrada de capital estrangeiro mais robusto, mesmo com a atratividade dos preços.

Um mercado em reajuste

O expressivo salto de 56% nos investimentos internacionais deve ser contextualizado pelo cenário recente, marcado por taxas de juros elevadas que encareceram o financiamento e desaqueceram as transações. O movimento observado no primeiro semestre é interpretado como uma "marcação ao mercado", onde compradores e vendedores alinham expectativas de preço após um período de ajuste. A demanda por ativos imobiliários comerciais tem se fortalecido globalmente, com escritórios registrando o maior volume de locações desde a pandemia e a vacância em queda. A busca por galpões logísticos também avança, impulsionada por e-commerces e operadores logísticos, enquanto o setor de varejo e hotelaria também mostra sinais de recuperação e atratividade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Metro Quadrado