O Itaú Unibanco está próximo de concretizar a maior locação de um único inquilino da história do mercado de escritórios de São Paulo. O banco negocia o aluguel integral das duas torres do Esther Towers, um complexo de 90 mil metros quadrados de área locável desenvolvido pela construtora Eztec na Avenida Chucri Zaidan. A transação, se confirmada, representa um marco para o setor imobiliário corporativo da cidade.

Segundo apuração do portal Metro Quadrado, o acordo deve ser finalizado nas próximas semanas. Mais do que uma simples expansão, o movimento do Itaú é uma tese sobre o futuro do trabalho e da geografia corporativa paulistana. Ao optar pela Chucri Zaidan, o banco busca não apenas espaço para acomodar seu crescente quadro de funcionários e a maior frequência presencial, mas também eficiência de custos, em um claro movimento de descentralização estratégica para fora do saturado e caro eixo da Faria Lima.

A equação do metro quadrado

A lógica por trás da decisão é pragmática. Enquanto o metro quadrado nos endereços mais cobiçados da Faria Lima se aproxima de R$ 400, o preço pedido no Esther Towers é de R$ 110. Para uma ocupação de 90 mil m², a economia é substancial. Além do custo, há a questão da disponibilidade: encontrar lajes corporativas contíguas dessa magnitude na Faria Lima é praticamente impossível. O Itaú consolida, assim, uma estratégia de alocar equipes que não necessitam de presença no principal centro financeiro em hubs secundários, porém modernos e bem localizados.

O efeito dominó na Chucri Zaidan

Para a região da Chucri Zaidan, a chegada de um inquilino do porte do Itaú funciona como uma âncora de validação. A área, que enfrentou alta vacância no período pós-pandemia apesar do estoque novo de edifícios, ganha um selo de aprovação que deve acelerar sua consolidação. A leitura é que a demanda por escritórios de alta qualidade permanece robusta, contanto que o preço seja competitivo. O movimento do Itaú pode destravar uma nova onda de interesse pela região, atraindo outras grandes companhias e pressionando os valores dos aluguéis para cima.

O episódio serve menos como um veredito sobre o trabalho remoto e mais como um exemplo de recalibração da estratégia imobiliária. O Itaú não abandona seus escritórios prime, mas cria um modelo multicêntrico. A questão que fica é como outras gigantes seguirão este mapa, redesenhando o eixo de gravidade corporativo da maior cidade do país.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Metro Quadrado