O recente rali eleitoral, iniciado após o primeiro turno das eleições de 2026, injetou otimismo nos mercados, especialmente em ativos cíclicos e sensíveis à taxa de juros. Ações de varejo, como a Magazine Luiza (MGLU3), já registraram uma alta superior a 20% em um único pregão. Nesse contexto de juros estruturalmente mais baixos, o Itaú BBA mergulhou em uma análise de sensibilidade para identificar oportunidades de investimento.

Os analistas do banco de investimento avaliaram o impacto de três variáveis principais: uma queda de 300 pontos-base na curva de juros, que poderia levar os juros reais a 6%; diferentes cenários para o PIB e seu efeito no crescimento das receitas empresariais; e a normalização dos múltiplos de valuation, compatível com um ambiente de taxas mais baixas. O objetivo foi estimar o potencial de valorização das companhias com base em lucros e múltiplos normalizados para 2027.

Potencial de Valorização Acima de 40%

O Itaú BBA destaca um grupo de sete empresas do varejo com potencial de valorização superior a 40%. Entre elas estão Pague Menos (PGMN3), Smart Fit (SMFT3), C&A (CEAB3), Grupo SBF (SBFG3), Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Quero-Quero (LJQQ3) e Allied Tecnologia (ALLD3). A normalização dos múltiplos é apontada como um dos fatores mais determinantes, com valuations que, segundo o banco, ficaram em segundo plano por anos, mas que agora podem ser reprecificados. Empresas como Pague Menos, Smart Fit e C&A negociam a múltiplos de preço/lucro projetado para 2027 de 7,5 vezes, enquanto SBF está a 5,0 vezes, Magalu a 9,0 vezes e Allied a 3,5 vezes. Além disso, Pague Menos, Magazine Luiza e Lojas Quero-Quero são vistas como beneficiárias diretas da queda dos juros, dada a sua alavancagem.

Outras Oportunidades e Visão Conservadora

Outros nomes como RD Saúde (RADL3), Vivara (VIVA3), Lojas Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3) também apresentam potencial de alta atraente, com valorização estimada entre 30% e 40%, impulsionada pela reprecificação de múltiplos. RD Saúde, Vivara e Lojas Renner podem ainda se beneficiar da retomada do fluxo de capital estrangeiro. O BBA acredita que o movimento macroeconômico pode ser suficiente para superar os desafios microeconômicos, ao menos até que a primeira etapa de normalização dos múltiplos seja totalmente absorvida pelo mercado.

Em uma perspectiva mais conservadora, o banco chama atenção para três empresas. A Natura (NATU3) tem seu potencial de valorização limitado, pois já se aproxima de seu valuation normalizado após cortes nas estimativas de lucro. O Assaí (ASAI3), apesar de atrair fluxos estrangeiros e se beneficiar da queda dos juros, já subiu significativamente no mês e nos últimos 30 dias, reduzindo seu potencial remanescente. Já a Vulcabras (VULC3) pode enfrentar um ambiente operacional mais desafiador no curto prazo, resultando em um potencial de valorização mais restrito.

Perguntas em Aberto

A principal questão que paira no mercado é se o otimismo macroeconômico será capaz de sustentar a recuperação do setor de varejo em um cenário onde os fundamentos microeconômicos de algumas empresas permanecem fragilizados. A normalização dos múltiplos pode ser um impulso temporário, mas a sustentabilidade dessa alta dependerá da capacidade das companhias em reverter a deterioração de seus lucros e melhorar sua performance operacional.

A leitura aqui é que, embora o cenário macroeconômico tenha se tornado mais favorável, a seletividade se torna crucial. Investidores devem monitorar de perto os resultados trimestrais e a gestão das empresas para discernir quais estão mais bem posicionadas para navegar em um ambiente de juros mais baixos e, ao mesmo tempo, superar seus desafios específicos. A capacidade de adaptação e a solidez de seus modelos de negócio serão determinantes para a valorização a longo prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times