O Itaú BBA revisou suas projeções para a JBS (JBSS32), reduzindo o preço-alvo ao final de 2026 de US$ 20 para US$ 18. A decisão, detalhada em relatório recente, ocorre após os resultados do primeiro trimestre evidenciarem desafios persistentes na operação de carne bovina da companhia nos Estados Unidos, um dos pilares estratégicos do grupo.

Apesar do corte, os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama mantiveram a recomendação de compra (outperform). O banco argumenta que, mesmo com o ajuste, o potencial de valorização permanece relevante, sustentado pela diversificação geográfica e por um valuation que, na visão da instituição, já precificou boa parte das dificuldades setoriais.

O impacto do ciclo pecuário nos EUA

A revisão das estimativas reflete, sobretudo, o cenário adverso para a operação de carne bovina norte-americana. O ciclo do gado nos EUA atravessa um momento de custos elevados para os frigoríficos, com a matéria-prima mais cara comprimindo as margens operacionais de forma mais acentuada do que o previsto inicialmente pelo mercado.

O Itaú BBA ajustou sua projeção para a margem Ebitda dessa divisão em 2026, passando de uma estimativa de -1,4% para -1,9%. Para 2027, a expectativa de uma margem positiva de 1,5% foi reduzida para um cenário próximo ao ponto de equilíbrio. O banco pontua que o desempenho do primeiro trimestre foi o principal fator de decepção, sinalizando que a recuperação do setor deve ocorrer em um ritmo mais lento e em patamares inferiores aos esperados anteriormente.

Mecanismos de recuperação e resiliência

Para justificar a manutenção da recomendação de compra, o relatório aponta gatilhos que podem mitigar a pressão atual. A demanda do consumidor americano permanece resiliente, e a possível reabertura da fronteira do México para a importação de gado é vista como um fator que poderia aliviar a oferta de animais para abate, melhorando a dinâmica de custos para os frigoríficos.

Além disso, o banco destaca a diversificação como um mecanismo de proteção. Enquanto a carne bovina nos EUA enfrenta turbulências, a operação da Seara e a divisão de carne suína nos EUA mantêm margens sólidas. A Pilgrim’s Pride, subsidiária de aves, também apresenta uma tendência de recuperação gradual, apesar do início de ano mais fraco que o projetado inicialmente pelo mercado.

Implicações para o investidor

A tese do Itaú BBA para a JBS baseia-se em um valuation considerado descontado. Atualmente, a empresa negocia a cerca de 6 vezes o valor da firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) projetado para 2026. Segundo os analistas, esses múltiplos incorporam margens deprimidas na operação de carne bovina americana.

Em um cenário de normalização dos ciclos pecuários, a companhia passaria a negociar próxima de 5 vezes EV/Ebitda. Esse patamar é visto pelo banco como um desconto atrativo em relação aos pares internacionais, reforçando a confiança na estrutura de capital da companhia mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador para o setor global de proteínas.

Perspectivas e incertezas

O que permanece em aberto é a velocidade real com que o ciclo pecuário americano irá se ajustar. A incerteza sobre a oferta de animais e os efeitos do câmbio nas operações australianas e brasileiras continuam sendo variáveis que exigem monitoramento constante por parte dos investidores.

O mercado deverá observar, nos próximos trimestres, se a resiliência demonstrada pelas divisões de maior valor agregado será suficiente para compensar a fraqueza estrutural no segmento bovino dos EUA. A capacidade da JBS de navegar por esses ciclos distintos definirá a materialização do potencial de valorização projetado pelo BBA.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times