As ações da Equatorial (EQTL3) enfrentam um período de estagnação no acumulado do ano, desempenho que destoa da trajetória de fundamentos da companhia, segundo avaliação do Itaú BBA. Em relatório recente, os analistas Filipe Andrade e Lucas Guimarães argumentam que o papel encontra-se mal precificado pelo mercado, oferecendo um potencial de valorização que pode chegar a 40,2% até o final de 2026.
A tese do banco se sustenta na qualidade da plataforma de distribuição da empresa e na disciplina na alocação de capital, características que, historicamente, consolidaram a Equatorial como uma das operadoras mais eficientes do setor elétrico brasileiro. O banco elevou o preço-alvo da ação para R$ 53,30, reiterando a recomendação de compra e destacando a resiliência da gestão diante de um cenário regulatório complexo.
Dinâmica de rotação e pressão setorial
O desempenho recente da EQTL3 tem sido pressionado por fatores técnicos, incluindo uma rotação setorial que levou investidores a buscarem ativos com maior sensibilidade à volatilidade dos preços de energia. Esse movimento de saída impactou o fluxo comprador da ação, que passou a ser utilizada como fonte de recursos para posições em outros ativos do setor elétrico.
Além do fluxo, o mercado demonstrou dificuldade em assimilar os impactos da transação envolvendo a Sabesp. O tom mais cauteloso nas discussões regulatórias do segmento de distribuição, somado à complexidade na análise do balanço da Equatorial após a aquisição de participação na companhia de saneamento, criou um ruído que, segundo o Itaú BBA, não reflete a realidade operacional da empresa.
A tese da Sabesp e as distorções contábeis
O Itaú BBA aponta que a participação na Sabesp atua como um fator de contaminação no valuation da Equatorial. Desde que a empresa se tornou acionista de referência da estatal paulista em junho de 2024, a ação da Equatorial acumula queda de 21% desconsiderando a marcação a mercado da SBSP3, o que sugere um descolamento entre o valor de mercado e a geração de valor real.
A distorção ocorre principalmente devido à equivalência patrimonial. Como a Sabesp possui restrições para distribuição de dividendos até 2030, o lucro contábil reconhecido pela Equatorial não se traduz integralmente em caixa imediato, confundindo métricas tradicionais como o dividend yield e o múltiplo EV/EBITDA. Para os analistas, o mercado falha ao ignorar que a Sabesp é um ativo líquido e listado, cujo valor deve ser precificado conforme as cotações de tela.
Implicações para o mercado de utilities
Para investidores, a Equatorial apresenta-se hoje como uma via de exposição indireta à Sabesp negociada com desconto. O Itaú BBA reforça que a empresa é uma das alocadoras de capital mais disciplinadas do país e que a atual estrutura de capital permite investimentos orgânicos sem comprometer a capacidade de buscar oportunidades inorgânicas futuras.
A assimetria observada reflete, na visão da casa, uma oportunidade de adquirir uma plataforma de alta qualidade a um preço descontado. A capacidade de navegar junto ao regulador em momentos de estresse permanece como um diferencial competitivo que, embora não seja totalmente precificado no curto prazo, sustenta a TIR real implícita de 12% calculada pelos analistas.
O futuro da precificação
Permanecem em aberto as questões sobre como o mercado reagirá à evolução dos múltiplos da Sabesp e se a Equatorial conseguirá converter sua influência operacional em ganhos de eficiência que superem os ruídos regulatórios. A observação constante sobre o fluxo de caixa efetivo, em contraste com o lucro contábil, será determinante para a reavaliação da tese.
O horizonte para 2026 sugere que o mercado precisará ajustar sua leitura sobre a estrutura da companhia, separando as distorções causadas pela contabilidade da Sabesp da performance operacional da Equatorial. A trajetória das ações dependerá de como essa transição será percebida pelos grandes fundos de investimento.
O movimento do Itaú BBA coloca sob holofote a divergência entre a percepção técnica do mercado e a realidade dos fundamentos operacionais da Equatorial, deixando o investidor diante do desafio de separar o ruído contábil do valor de longo prazo. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times — Mercados





