A JB Capital, firma de análise financeira, projeta um terceiro trimestre de 2026 com resultados positivos para o setor bancário da Espanha e Portugal. Segundo a análise, as instituições financeiras da península Ibérica devem cumprir ou até mesmo superar as estimativas de desempenho, impulsionando a receita e o lucro. A firma revisou suas projeções, antecipando que a rentabilidade (RoTE) continuará a melhorar, saindo de cerca de 19% em 2026 para ultrapassar 21% em 2028. Além disso, o crescimento do lucro por ação (BPA) dos bancos ibéricos é estimado em aproximadamente 12% para 2027 e 2028, superando a média de 9% prevista para o setor europeu.

Essa perspectiva otimista é reforçada por uma rentabilidade total por dividendo estimada em cerca de 7%. A JB Capital observa uma melhora nos margens de clientes, apesar de a plena transferência do benefício de taxas de juros mais altas poder levar algum tempo. O estudo aponta que, embora a curva de juros não se mova de forma paralela, os dados já indicam uma recuperação nas margens com clientes, sinalizando um cenário favorável para o setor.

Contexto do Setor Bancário Ibérico

O setor bancário na Espanha e Portugal tem navegado em um ambiente de juros em elevação e pressões competitivas. Enquanto o aumento das taxas de juros pode, em teoria, beneficiar os bancos ao expandir suas margens de intermediação, a realidade é mais complexa. A JB Capital reconhece que a transmissão completa desse benefício para os resultados pode ser gradual, dependendo da evolução da curva de juros e da estrutura dos contratos de crédito. No entanto, a análise sugere que a recuperação já é visível nas margens com clientes, um sinal encorajador para a saúde financeira das instituições.

O mercado de crédito, em particular, apresenta dinâmicas distintas. A JB Capital prevê um avanço na carteira de crédito em torno de 4% ao ano entre 2026 e 2028, com potencial de superação em Portugal. No entanto, o mercado hipotecário espanhol mostra sinais de desaceleração na produção de novos empréstimos, apesar de um ligeiro aumento no juro médio. A concorrência nesse segmento é intensa, com bancos buscando diferenciação em meio a preços considerados pouco atrativos por alguns. Em contrapartida, o segmento corporativo surge como uma área de maior rentabilidade e com perspectivas de crescimento de volume, atraindo o foco de instituições como Banco Sabadell e Unicaja.

Análise das Principais Ações

A JB Capital identifica Bankinter e Banco Sabadell como suas principais recomendações ('top picks') no setor. Para o Bankinter, a firma destaca a combinação de crescimento e rentabilidade, além de uma maior resiliência em ciclos de mudança econômica. A recomendação de 'Comprar' é mantida, com preço-alvo de 22,5 euros, atribuindo uma prima ao banco devido à solidez de seu modelo de negócio. No caso do Banco Sabadell, o preço-alvo é de 4,50 euros, com recomendação de 'Comprar', embora a análise aponte uma sensibilidade menor de sua margem de juros no curto prazo, o que pode resultar em um lucro ligeiramente abaixo do consenso para o terceiro trimestre.

Em contraste, o BBVA é visto como a opção menos atrativa. A JB Capital considera que a ação já reflete a forte execução operacional na Espanha e México, com riscos de baixa nas estimativas de consenso para 2028, especialmente na Turquia e Argentina. O potencial de impacto de novas recompras de ações também é considerado menor. Por isso, a recomendação é 'Infraponderar', com preço-alvo de 24 euros.

Implicações e Outras Ações

Para a Unicaja, a JB Capital prevê que a margem de juros atingiu seu ponto mais baixo no segundo trimestre de 2026 e que a reprecificação se tornará positiva no segundo semestre. Contudo, o crescimento da entidade deve ficar ligeiramente abaixo do mercado nos próximos anos. A cotação é considerada 'ajustada' após a valorização em 2026, e a recomendação é 'Neutral', com preço-alvo de 3,8 euros.

O Caixabank, excluindo o Santander, é apontado como o 'melhor veículo para se posicionar' no cenário macroeconômico ibérico. A firma estabelece um preço-alvo de 15,3 euros, com potencial de valorização de cerca de 30%, e reitera a recomendação de 'Comprar'. No entanto, a análise adota uma postura mais cautelosa quanto ao crescimento dos depósitos, devido à inflação e à publicação das contas do terceiro trimestre.

Perguntas em Aberto

Apesar das projeções positivas, o setor bancário ibérico ainda enfrenta desafios. A capacidade de repassar integralmente o aumento das taxas de juros aos clientes, a gestão da concorrência crescente, especialmente no mercado hipotecário, e a volatilidade em mercados emergentes onde alguns bancos têm forte presença, como Argentina e Turquia, continuam sendo pontos de atenção. A eficácia das estratégias de crescimento no segmento corporativo e a resiliência dos modelos de negócio em diferentes cenários econômicos serão cruciais para o desempenho futuro.

O cenário para o quarto trimestre e para o próximo ano dependerá da consolidação da recuperação das margens, da evolução da inflação e das decisões de política monetária. A forma como os bancos conseguirão equilibrar o crescimento do crédito com a gestão de riscos de inadimplência, em um ambiente ainda sujeito a incertezas macroeconômicas, definirá o ritmo de suas operações e a satisfação dos investidores. A JB Capital, ao apostar em Bankinter e Sabadell, sinaliza uma confiança na capacidade desses bancos de navegar por essas complexidades.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España