A JBS apresentou uma nova proposta para adquirir a fatia de 18% que ainda não detém na sua subsidiária americana Pilgrim’s Pride. Desta vez, a gigante brasileira de carnes oferece uma troca de ações, propondo 2,086 de seus papéis Classe A para cada ação da Pilgrim’s, com o objetivo de tornar a empresa de frangos uma subsidiária integral e fechar seu capital na Nasdaq.

A manobra representa uma mudança tática crucial. Em 2022, a JBS retirou uma oferta em dinheiro que chegava a US$ 28,50 por ação, após rejeição do comitê independente da Pilgrim’s. A nova abordagem, sem desembolso de caixa, sinaliza uma busca por consolidação e eficiência operacional, mas sem pressionar a alavancagem financeira da companhia — um movimento calculado para simplificar a complexa estrutura societária do grupo.

Uma oferta sem prêmio, mas com uma tese

A proposta atual não embute um prêmio financeiro direto. A relação de troca foi calculada com base nos preços de fechamento de terça-feira (18), equivalendo a US$ 28,49 por ação da Pilgrim's — valor virtualmente idêntico ao da oferta em dinheiro rejeitada há dois anos. A aposta da JBS, portanto, não está no preço, mas na narrativa estratégica. A leitura de analistas, como os do Safra, é que a transação oferece aos minoritários da Pilgrim's a oportunidade de migrar para uma companhia maior, mais diversificada e com maior liquidez de mercado.

Essa lógica é sustentada pela própria avaliação das empresas. A JBS negocia com um prêmio de 11% sobre a Pilgrim’s Pride na relação EV/Ebitda, segundo o Safra. A mensagem para os acionistas minoritários é clara: trocar um ativo focado, porém menos líquido e com menor múltiplo, por uma fatia em um conglomerado global de alimentos. O Bank of America, embora aponte uma leve diluição para os acionistas da JBS, vê a transação como estruturalmente benéfica e mais atraente que a tentativa anterior.

O desafio da aprovação

O sucesso da operação depende da aprovação de um comitê especial de conselheiros independentes da Pilgrim’s Pride e, crucialmente, da “maioria da minoria” — o voto favorável da maior parte dos acionistas não ligados à JBS. O principal obstáculo é convencer esse grupo a aceitar uma oferta sem prêmio, especialmente quando uma proposta em dinheiro similar já foi recusada no passado.

A JBS aposta que os benefícios de longo prazo — como a simplificação da estrutura e a eliminação de custos de uma empresa de capital aberto — e a exposição a um negócio mais robusto serão suficientes. Para a companhia brasileira, a consolidação total da Pilgrim’s Pride permitiria reter integralmente os fluxos de caixa da subsidiária e otimizar a alocação de capital dentro do grupo, concentrando a liquidez em um único papel.

A proposta é um teste para o mercado. Para a JBS, representa um caminho de baixo custo para fechar uma ponta solta em sua estrutura. Para os acionistas da Pilgrim's, é uma decisão entre o valor tangível de um ativo independente e a promessa de valor estratégico dentro de um gigante. O resultado irá ditar se a lógica corporativa de longo prazo pode, enfim, superar a busca por um ganho financeiro imediato.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times