O renomado estúdio de arquitetura californiano Johnston Marklee revelou os planos para a expansão do Bass Museum of Art, em Miami Beach, Flórida. O projeto ambicioso visa não apenas ampliar a área expositiva do museu, mas também incorporar soluções inovadoras de design e resiliência, respondendo aos desafios ambientais da região. A expansão se concentrará na área de 22.000 pés quadrados no canto sudoeste do campus do museu, integrando espaços internos e externos de forma fluida.
Contexto e Visão
As maquetes apresentadas mostram duas estruturas retangulares em forma de pavilhão, dispostas sobre um plano de concreto fino, elevadas do solo. Essa elevação é uma resposta direta às diretrizes de resiliência, provavelmente em referência aos riscos de inundações causados pela elevação do nível do mar, uma preocupação crescente em Miami-Dade County. Os pátios projetados passarão por baixo dessas estruturas elevadas, criando áreas sombreadas e acessíveis. Segundo Sharon Johnston, sócia fundadora da Johnston Marklee, o projeto é "transformador", pois manterá o canto da propriedade aberto e aumentará o acesso público aos programas e obras de arte do museu. A análise cuidadosa de luz, sombra, espaço, volume e o contexto urbano e paisagístico circundante, incluindo o Collins Park, é fundamental para a concepção.
Mecanismos de Design e Resiliência
Formalmente, a expansão apresentará paredes brancas e lisas nas estruturas superiores, contrastando com paredes mais texturizadas no nível do solo, sob as áreas elevadas. Um óculo retroiluminado no centro do projeto servirá para iluminar a passagem sob a estrutura durante a noite, adicionando um elemento escultural e funcional. As passagens também conduzirão a áreas de jardim paisagístico, e a face cega de um dos pavilhões poderá ser utilizada como tela para exibições. O projeto dá continuidade à rica herança arquitetônica do museu, que começou com o edifício Art Déco original de Russell Pancoast, projetado nos anos 1930, e a expansão de Arata Isozaki. As principais áreas de exposição estarão localizadas nos pavilhões retangulares, que contarão com galerias de paredes brancas, janelas retangulares e claraboias, como visto nas renderizações.
Implicações e Acesso
A elevação das galerias, além de sua função de resiliência, também contribui para a sensação de leveza e abertura do espaço. A integração com o Collins Park, que se estende a partir da face leste do museu, reforça a ideia de um campus mais poroso e conectado com a cidade. Perfurações na fachada, tanto no topo dos pavilhões retangulares quanto nas paredes que separam os pátios cobertos da rua, permitirão ventilação e jogos de luz e sombra. Mark Lee, outro sócio fundador da Johnston Marklee, destacou que o projeto "continua a história arquitetônica do museu, preservando o design Art Déco de Russell Pancoast dos anos 1930 e ao mesmo tempo honrando a visão de Arata Isozaki de um campus poroso".
Perguntas em Aberto e Futuro
Com a apresentação dos designs, a expectativa agora se volta para a execução e o impacto real na experiência do visitante e na vida cultural de Miami Beach. A capacidade de adaptação a futuras mudanças climáticas, a durabilidade dos materiais e a eficácia das soluções de resiliência serão observadas de perto. O sucesso da expansão dependerá não apenas da sua estética e funcionalidade, mas também de como ela se integrará à comunidade e ao ecossistema artístico local, solidificando o Bass Museum como um ponto de referência cultural resiliente e acessível.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen Architecture





