Charlie Bouckaert, o líder global de Fusões e Aquisições (M&A) do JPMorgan, projeta um cenário de pressão crescente para fundos de private equity (PE) realizarem seus investimentos em 2027. A expectativa não é de um boom generalizado em transações, mas sim de uma necessidade imposta pelas circunstâncias: os ativos estão envelhecendo, os prazos para refinanciamento se aproximam e os investidores (Limited Partners, ou LPs) clamam por retorno de capital. O modelo de negócios do private equity é intrinsecamente dependente de saídas bem-sucedidas para devolver dinheiro aos seus cotistas, e essa etapa se tornou um gargalo significativo.
O inventário de investimentos não vendidos no setor de PE atingiu 33.853 posições em setembro de 2026, um aumento em relação ao trimestre anterior, segundo dados da PitchBook. No ritmo atual de liquidações, estima-se que seriam necessários mais de oito anos para esvaziar esse portfólio. Este acúmulo é, em parte, um reflexo do ciclo natural de expansão e contração do mercado. O pico de transações em 2021 deu lugar a uma desaceleração abrupta com a alta das taxas de juros em 2022, que encerrou a era do crédito barato. Embora o valor de negócios e saídas tenha se recuperado em 2025, a indústria entrou em 2026 com um volume considerável de empresas ainda em carteira.
O tempo médio de permanência de ativos em fundos de buyout se estendeu para cerca de sete anos, comparado aos cinco a seis anos observados entre 2010 e 2021. Essa longevidade nos investimentos força os gestores a reavaliar estratégias. Com vencimentos de refinanciamento previstos para 2028 e 2029, a decisão entre vender o ativo ou mantê-lo e buscar novas formas de financiamento se torna mais urgente e complexa. A proximidade dessas datas limite impulsionará uma avaliação mais concreta dos próximos passos.
Bouckaert não antecipa, contudo, um ressurgimento robusto no mercado de M&A em geral. Após um ambiente de negócios "muito, muito forte" em 2026, especialmente nos dois primeiros terços do ano, a atividade de transações entrou em um período de calmaria. Embora o volume permaneça relativamente saudável, a projeção para 2027 aponta para uma continuidade dessa tendência mais moderada, com uma inclinação para menos negócios, mas com um foco contínuo em transações de grande porte, impulsionadas em parte por fusões e aquisições relacionadas à inteligência artificial.
A devolução de capital aos investidores em private equity pode não se concretizar apenas através de vendas diretas de empresas. O executivo do JPMorgan sugere que formatos alternativos ganharão relevância. Fundos de continuação, que permitem aos gestores realocar ativos para um novo veículo sob sua gerência, oferecendo aos investidores existentes a opção de sair, ou a negociação de participações em mercados secundários, são exemplos de mecanismos que podem facilitar essa liquidez. "De uma forma ou de outra, esperamos ver um maior fluxo de negócios se materializar", afirmou Bouckaert.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





