O JPMorgan rebaixou a recomendação das ações da Braskem (BRKM5) de overweight para neutra, acompanhando o movimento recente do Citi. Em relatório enviado a clientes, a instituição reduziu seu preço-alvo para o final de 2026 de R$ 15 para R$ 7,50 por ação, refletindo uma mudança drástica na percepção sobre o risco do ativo.
A revisão ocorre após o banco concluir que o cenário para o setor petroquímico perdeu tração, enquanto os riscos inerentes à reestruturação da dívida da companhia se intensificaram. Segundo os analistas Milene Clifford Carvalho, Henrique Cunha e Rodolfo Angele, a tese otimista adotada há poucas semanas perdeu sustentação diante da fragilidade financeira da empresa.
O fim do otimismo com spreads
A tese de investimento do banco baseava-se na recuperação dos spreads petroquímicos, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, e na esperada melhora da governança após mudanças no controle. Contudo, a estabilização das expectativas sobre o conflito entre Irã e Estados Unidos reduziu o prêmio esperado para o setor, forçando o banco a cortar sua projeção de Ebitda para 2026 em 20,1%, para US$ 2,2 bilhões.
Além disso, a alavancagem elevada da Braskem faz com que qualquer oscilação nas margens operacionais tenha um impacto desproporcional sobre o valor patrimonial. O banco aponta que o mercado agora precifica a companhia quase exclusivamente pelo desfecho de sua reestruturação financeira, relegando os fundamentos operacionais a um segundo plano diante da urgência de liquidez.
O impasse com os credores
O processo de reestruturação tornou-se o principal direcionador das ações, mas as negociações enfrentam obstáculos significativos. Os credores rejeitaram a proposta inicial da administração, sinalizando que exigem uma participação mais ativa dos acionistas no reequilíbrio financeiro. O JPMorgan ressalta que essa demanda por maior suporte dos sócios pode evoluir para soluções dilutivas.
Embora o banco considere a reestruturação extrajudicial o cenário mais provável, o risco de uma recuperação judicial permanece no horizonte como o principal fator de queda. A falta de um formato definido para o aporte de capital ou apoio operacional impede que analistas projetem um cenário de valorização consistente, mantendo o papel sob forte pressão de venda.
Governança e novos desafios
Apesar das incertezas, houve avanços na governança. A conclusão da transferência do controle da Novonor para a IG4 Capital, com a Petrobras mantendo 47% de participação, marca uma nova fase. A gestão, agora sob liderança de Helcio Tokeshi, enfrenta o desafio de reorganizar o balanço em um ambiente de desconfiança por parte do mercado financeiro.
Para investidores, a leitura é que a nova estrutura de governança, embora necessária, não é suficiente para isolar a companhia dos riscos de insolvência. O JPMorgan optou por manter uma postura cautelosa, evitando prever cenários de diluição, mas alertando que a ausência de clareza sobre os termos finais do acordo limita qualquer potencial de alta no curto prazo.
O dilema da capitalização
O que permanece incerto é o custo final da reestruturação para os atuais acionistas. A necessidade de aportes de capital ou instrumentos vinculados ao patrimônio pode alterar radicalmente a composição de valor da Braskem, dependendo da disposição da Petrobras e da IG4 em injetar recursos na petroquímica.
O mercado aguarda agora os próximos passos das rodadas de negociação. A capacidade da nova diretoria em alinhar os interesses dos credores aos dos sócios determinará se a empresa conseguirá evitar medidas drásticas de diluição ou reestruturações judiciais que penalizariam ainda mais o valor de mercado. Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





