O Bradesco fechou o terceiro trimestre de 2026 com um lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões, um avanço de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado, que ficou praticamente alinhado às projeções de mercado, reflete uma gestão que busca consolidar a recuperação iniciada há onze trimestres. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) atingiu 16,1%, ligeiramente acima das expectativas e com uma evolução positiva em 12 meses. A margem financeira, impulsionada pelo crescimento da carteira de crédito, também apresentou um desempenho robusto, com alta de 14,2% na comparação anual.

Inadimplência e Provisões: O Principal Obstáculo

Apesar dos números positivos no lucro e nas receitas, a qualidade da carteira de crédito continua a ser um ponto de atenção para o Bradesco. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6%, um aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao ano anterior e de 0,3 p.p. no trimestre. Essa deterioração foi particularmente sentida nas operações com micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), especialmente aquelas com garantias governamentais, e em operações sazonais do agronegócio. Em resposta, as despesas com provisões para perdas de crédito (PDD) dispararam 24,3% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 10,6 bilhões, evidenciando a pressão do ambiente macroeconômico.

Impacto do Cenário Macroeconômico

O cenário macroeconômico desafiador tem sido um fator determinante para a qualidade do crédito no setor bancário brasileiro. A pressão sobre a inadimplência, observada no Bradesco, reflete a dificuldade de empresas e famílias em honrar seus compromissos em um ambiente de juros elevados e crescimento moderado. A instituição financeira reconhece a necessidade de ajustes finos em modelos de precificação e exposição a clientes em segmentos mais voláteis. O aumento do custo de crédito total para 3,7% também sinaliza essa cautela, influenciado tanto pela expansão da carteira quanto pelo provisionamento.

Receitas e Outros Destaques do Balanço

Do lado positivo, a margem financeira com clientes cresceu 10,1% para R$ 20,5 bilhões, sustentada pela expansão da carteira de crédito. A margem financeira com o mercado, por sua vez, apresentou um salto expressivo de 783% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 875 milhões, demonstrando a capacidade da tesouraria em gerar valor mesmo em cenários de volatilidade. A gestão de risco e a capacidade de geração de valor recorrente pela tesouraria foram citadas como fatores chave para este desempenho.

Perguntas em Aberto para o Futuro

O principal desafio para o Bradesco e para o setor bancário como um todo reside em equilibrar o crescimento da carteira de crédito com a manutenção da qualidade. A capacidade do banco em mitigar os efeitos da inadimplência, especialmente em segmentos mais sensíveis, será crucial para sustentar a trajetória de recuperação. Observar como as provisões se comportarão nos próximos trimestres e se as estratégias de ajuste de exposição a clientes voláteis surtirão efeito será fundamental para avaliar a saúde financeira da instituição.

O Bradesco demonstra resiliência em seus resultados, mas a persistência da inadimplência e a consequente alta nas provisões exigem vigilância contínua. A gestão do risco de crédito, em um cenário macroeconômico ainda incerto, definirá os próximos passos do banco em sua jornada de turnaround.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times