O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, fez duras críticas à reação do mercado financeiro à discussão de uma proposta do economista André Lara Resende para a política de juros. Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (4), Marinho defendeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha liberdade para ouvir e avaliar diferentes ideias econômicas, mesmo que elas não se encaixem no que ele chamou de "quadradinho" da Faria Lima.

"O que eu acho um absurdo é que qualquer tentativa, discussão que não esteja no quadradinho do chamado mercado da Faria Lima, gritam contra", afirmou o ministro, em referência à resistência do setor financeiro a propostas que divergem do consenso estabelecido. Questionado sobre os possíveis efeitos da proposta de Lara Resende no mercado de trabalho, Marinho evitou analisar as medidas em si, focando sua argumentação na importância de abrir o diálogo governamental. Ele questionou a postura de quem se opõe a ouvir novas perspectivas: "Mas será que o presidente não tem capacidade de avaliar se uma contribuição pode ser assimilada, aceita ou não?"

Segundo Marinho, o ato de receber contribuições de diversos setores da economia não implica em sua adoção automática pelo governo. Ele ressaltou que taxas de juros elevadas representam um ônus para as contas públicas, desestimulam investimentos empresariais e prejudicam o poder de compra dos consumidores. "É a coisa mais natural do mundo que um governante possa receber contribuições", disse, sublinhando a importância de um debate econômico plural.

Na mesma ocasião, Marinho abordou sua própria permanência no cargo. Ele declarou que ainda não conversou com o presidente Lula sobre a possibilidade de continuar à frente do Ministério do Trabalho no próximo mandato. Colocou-se à disposição do presidente, aceitando qualquer decisão que venha a ser tomada, inclusive a de não permanecer no cargo. "Tem duas pessoas garantidas no próximo governo: presidente Lula e o Alckmin", afirmou, classificando outras especulações sobre a composição do futuro ministério como "especulação, que eu saiba pelo menos".

Enquanto aguarda uma definição sobre seu futuro, o ministro destacou suas prioridades imediatas: a regulamentação das recentes mudanças na jornada de trabalho e o aprofundamento das medidas de proteção aos trabalhadores contra o assédio eleitoral. Marinho enfatizou que a atuação do ministério visa proteger empregados de qualquer orientação política contra perseguições por parte de empregadores. "É proteção de todos os trabalhadores", concluiu, adicionando que seria igualmente inaceitável um empregador petista perseguir um funcionário bolsonarista, por exemplo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times