A MAG Investimentos, gestora com cerca de R$ 20 bilhões sob custódia, projeta um cenário de juros elevados e estabilidade cambial para o Brasil até o final de 2026. Segundo o sócio-diretor Claudio Pires, a combinação de inflação em 5%, taxa Selic em 14% e dólar cotado a R$ 5 compõe o cenário-base da casa, em meio a um ambiente de incertezas fiscais e turbulências globais.
O executivo argumenta que, embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de cortes, o espaço para novas reduções tornou-se limitado. A leitura da gestora é que o Brasil enfrenta um desafio estrutural ao tentar seguir uma política monetária contrária ao movimento global de alta de juros, o que pressiona o fluxo de capital e exige cautela redobrada da autoridade monetária para evitar a desvalorização do real.
O peso do cenário fiscal
Pires enfatiza que a política monetária, isoladamente, é insuficiente para reduzir os juros estruturais do país. A tese da MAG Investimentos é que o mercado exige uma sinalização clara de ajuste nas contas públicas para precificar uma curva de juros mais curta. Sem convergência entre a política fiscal do governo federal e a monetária do Banco Central, o prêmio de risco tende a permanecer elevado.
O gestor observa que a atividade econômica tem surpreendido positivamente, o que, somado à inflação persistente, impõe um freio natural a cortes mais agressivos da Selic. Para a casa, o Copom deve manter uma postura cautelosa, realizando ajustes marginais de 0,25 ponto percentual, caso o cenário de incerteza não se dissipe nos próximos meses.
Dinâmica eleitoral e capital estrangeiro
Um ponto central na análise da MAG é o impacto da eleição de 2026 sobre os ativos brasileiros. Segundo Pires, o fluxo de capital estrangeiro que impulsionou o Ibovespa no início do ano foi movido, em parte, pela expectativa de alternância de poder. O investidor internacional, ao diversificar portfólio, buscava um possível 'bônus' fiscal com uma eventual mudança de governo.
Contudo, a avaliação da gestora sobre o pleito mudou. A leitura atual é de que a oposição falhou em capitalizar sobre os problemas do governo, consolidando a reeleição de Lula como o cenário mais provável. Essa percepção altera a expectativa do investidor externo, que passa a precificar a continuidade da política econômica atual em vez de uma ruptura fiscal.
Impacto no câmbio e consumo
No que diz respeito ao câmbio, a projeção de R$ 5 para o dólar reflete o equilíbrio entre os juros elevados, que sustentam o real, e as pressões macroeconômicas que impedem uma valorização mais expressiva. A gestora nota que o real tem se comportado em linha com os pares emergentes, diluindo a percepção de que o Brasil estaria descolado dos movimentos regionais.
Quanto ao PIB, a MAG não projeta desaceleração brusca, estimando crescimento próximo de 2%. O consumo das famílias e medidas de estímulo governamental, típicas de anos eleitorais, funcionam como um amortecedor para a atividade econômica, evitando soluços no curto prazo, independentemente da orientação ideológica da gestão em exercício.
Incertezas no horizonte
Apesar da clareza sobre o cenário-base, permanecem perguntas sobre a capacidade do governo de sustentar o crescimento sem comprometer a trajetória da dívida pública. A eficácia das medidas de estímulo e a resiliência do mercado de trabalho serão pontos de observação essenciais para os próximos trimestres.
O mercado aguarda agora a evolução dos dados de inflação e a postura do Banco Central frente aos novos desafios globais. O desenrolar dessas variáveis definirá se a projeção de juros a 14% será um teto ou um piso para o ambiente de negócios no Brasil.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





