A reviravolta na corrida para o Senado no estado americano do Maine forçou uma mobilização de última hora no Partido Democrata. Após a retirada do candidato original em meio a alegações de conduta imprópria, os democratas marcaram uma convenção para o fim de julho para nomear um substituto que enfrentará a senadora republicana Susan Collins.

Com o prazo apertado, não há tempo para um processo tradicional de construção de marca. A solução, segundo reportagem da Fast Company, tem sido o improviso: os pré-candidatos estão reciclando e adaptando logotipos e materiais de campanhas anteriores, numa demonstração de pragmatismo eleitoral.

A estética da tesoura

A tática é um misto de necessidade e recurso. Nirav Shah, ex-diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças do Maine, mantém seu logo da campanha para governador, mas seus apoiadores foram vistos cortando com tesouras a parte inferior de adesivos antigos que diziam “Para Governador”. Outros simplesmente cobrem a palavra com fita adesiva para escrever “Senado”.

Shenna Bellows, que já disputou a mesma vaga contra Collins em 2014, simplesmente tirou da gaveta o logo de 12 anos atrás. Já outros, como o ex-senador estadual Troy Jackson, se beneficiam de um design genérico: seu logo “Troy Jackson for Maine” (“Troy Jackson pelo Maine”) não especifica o cargo, permitindo o reuso imediato sem qualquer alteração.

Pragmatismo acima da perfeição

O que poderia parecer amadorismo é, na verdade, um sinal de experiência. Os candidatos que conseguem se mover rapidamente já possuem uma identidade visual estabelecida e o reconhecimento do eleitorado de disputas anteriores. A urgência da situação no Maine apenas torna visível um processo que muitas vezes ocorre nos bastidores.

O fenômeno não é inédito. A Fast Company traça um paralelo com a transição da campanha de Joe Biden para Kamala Harris em 2024, quando apoiadores adaptaram materiais existentes até que uma nova identidade visual oficial fosse lançada. A leitura é que, em política, a agilidade e a capacidade de adaptação frequentemente superam a busca por uma perfeição estética que o calendário não permite.

No fim, a campanha de última hora no Maine se torna um estudo de caso sobre branding de guerrilha. A mensagem para o eleitor não está apenas no design do logo, mas no fato de que ele já existe. Sinaliza um candidato que já esteve na arena antes e está pronto para a disputa — e, neste caso, a marca que importa é a da própria experiência.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company