A escritora E. Jean Carroll recebeu quase US$ 5,63 milhões de Donald Trump, valor referente à indenização por abuso sexual e difamação estabelecida por um júri em 2023. Segundo autos do processo reportados pela Reuters, o dinheiro foi liberado para o escritório de advocacia de Carroll na última segunda-feira, após autorização de um juiz federal, mesmo sob objeção da defesa do presidente americano.

O pagamento, que inclui a sentença original de US$ 5 milhões acrescida de juros, marca a primeira vez que Trump é efetivamente obrigado a desembolsar fundos para Carroll. O movimento transforma um veredito judicial, até então sujeito a recursos e manobras legais, em uma consequência financeira tangível, estabelecendo um precedente material na longa saga jurídica entre os dois.

O peso simbólico do dinheiro

A equipe jurídica de Trump lutou até o último momento para bloquear a transferência, argumentando que o presidente sofreria “dano irreparável”. A tese era que, se Carroll doasse o dinheiro, como havia sugerido, os fundos seriam irrecuperáveis caso um recurso futuro revertesse a decisão. A Justiça, no entanto, não acatou o argumento, autorizando o desembolso a partir de uma conta supervisionada pelo tribunal onde o valor estava depositado.

Para um líder cuja imagem pública foi construída sobre uma persona de sucesso e invencibilidade nos negócios, a transferência forçada de milhões de dólares representa mais do que uma derrota legal. É um golpe simbólico que materializa a condenação. A defesa de Trump continua a enquadrar o caso como uma “caça às bruxas” e uma “farsa financiada por democratas”, mas a transação bancária é um fato incontestável que contraria essa narrativa.

Uma vitória em duas frentes

É crucial notar que este pagamento se refere apenas ao primeiro de dois processos vencidos por Carroll. A indenização de US$ 5 milhões foi concedida por um júri com base em declarações difamatórias feitas por Trump em 2022. Na ocasião, o júri considerou-o responsável por abuso sexual, mas não por estupro.

Um segundo veredito, muito mais pesado, condenou Trump em 2024 a pagar US$ 83,3 milhões a Carroll por declarações difamatórias feitas em 2019, durante seu primeiro mandato presidencial. Espera-se que Trump leve o recurso contra essa segunda e maior sentença até a Suprema Corte. A vitória de Carroll em receber a primeira indenização, portanto, serve como um importante precedente, mas a batalha judicial mais vultosa ainda está em curso.

Enquanto a equipe de Carroll celebra o recebimento da indenização que o júri lhe concedeu, o episódio solidifica a estratégia de combate legal contra Trump. A questão que permanece é como essas derrotas financeiras, uma concretizada e outra pendente, impactarão não apenas seu patrimônio, mas seu capital político em um momento de alta polarização.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney