O Partido Socialista de Mallorca (PSIB), na oposição, está elevando a pressão sobre o governo local para uma mudança de rumo no modelo turístico e na política de habitação da ilha espanhola. Segundo reportagem da Forbes España, o partido apresentará moções nos municípios para exigir ações contra o que descreve como saturação turística, “degradação” do território e uma crise de moradia insustentável.

A iniciativa não surge no vácuo. Ela é uma resposta direta ao “clamor cidadão” que tomou as ruas da ilha em julho, com manifestações que pediam limites a um modelo de crescimento visto como predatório. A leitura do PSIB é que a pressão sobre os recursos naturais, os serviços públicos e a convivência local atingiu um ponto de ruptura, enquanto os preços dos imóveis disparam, impulsionados pela proliferação de aluguéis turísticos ilegais.

O freio como política

As propostas dos socialistas são estruturais e buscam reverter políticas recentes do governo local, que, segundo eles, agravaram a situação ao legalizar construções em solo rústico e se negar a declarar “zonas tensionadas” para limitar os preços dos aluguéis. A moção do PSIB defende uma redução legal do teto de vagas turísticas, o blindamento do solo rústico e de áreas naturais, além de destinar os recursos do Imposto de Turismo Sustentável (ITS) para a construção de moradias públicas.

Em âmbito municipal, o compromisso é intensificar a luta contra o aluguel turístico ilegal e usar as multas para financiar habitação social. “Mallorca disse basta”, afirmou Amanda Fernández, secretária-geral da Federação Socialista de Mallorca, defendendo a necessidade de garantir que a ilha seja um lugar “habitável, digno e sustentável”.

Um dilema europeu

O caso de Mallorca é um microcosmo de um debate que ecoa em outros destinos europeus, de Lisboa a Amsterdã, onde o sucesso do turismo cobra um preço alto da população local. A tensão entre o motor econômico do turismo e a qualidade de vida dos residentes chegou a um ponto de inflexão política. A disputa não é apenas sobre o número de visitantes, mas sobre qual é a função social do território e quem tem o direito de usufruí-lo.

A moção do PSIB força uma discussão que muitos governos preferem evitar: a possibilidade de decrescimento ou, ao menos, de um crescimento muito mais controlado. A resposta das instituições ao clamor das ruas definirá não apenas o futuro de Mallorca como destino turístico, mas como um lugar para se viver.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España