No complexo xadrez da sucessão em Minas Gerais, um movimento inesperado colocou um articulador de bastidores no centro do tabuleiro. Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil do governador Romeu Zema (Novo), tornou-se o nome favorito para encabeçar a chapa da direita ao governo do estado. A ascensão ocorre após o Republicanos recuar da candidatura do senador Cleitinho Azevedo, abrindo espaço para um nome de consenso.
A escolha de Aro não é trivial. Ele representa a vitória do pragmatismo e da máquina partidária sobre candidaturas de apelo mais populista. Com um histórico de alianças que vão de Eduardo Cunha a Alexandre Kalil, sua trajetória é um estudo de caso sobre a capacidade de adaptação e sobrevivência na política brasileira. A aposta é que sua habilidade de negociação, testada no governo Zema, seja o ativo necessário para unificar um campo político fragmentado e herdar o capital político do atual governador.
Um histórico de pragmatismo
A carreira política de Marcelo Aro foi forjada na articulação. Eleito deputado federal em 2014, rapidamente se alinhou ao então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tornando-se um de seus principais defensores durante o processo que culminou na cassação do mandato do ex-parlamentar. Essa lealdade inicial sinalizava uma vocação para operar dentro das estruturas de poder, mais do que para desafiá-las.
Essa mesma lógica pragmática guiou seus passos seguintes. Em Belo Horizonte, foi um aliado crucial na eleição de Alexandre Kalil (então no PHS), mas rompeu com o prefeito para se aproximar de Romeu Zema, que representava a força política ascendente no estado. A manobra garantiu a Aro posições estratégicas no governo, primeiro na Casa Civil e depois na Secretaria de Governo, onde se tornou o principal interlocutor político da gestão.
O tabuleiro de 2026
A candidatura de Aro ao governo não era o plano original. Em 2022, após ser preterido para a vaga de vice na chapa de Zema, ele disputou o Senado e não se elegeu. A expectativa era que concorresse novamente ao Senado em 2026, na chapa do vice-governador Mateus Simões. Contudo, a implosão da candidatura de Cleitinho, somada à resistência de Aro em disputar uma vaga concorrida ao Senado, criou a tempestade perfeita.
Com o apoio da federação União-Progressistas, do PL de Jair Bolsonaro e do próprio Republicanos, Aro surge como a solução para evitar uma divisão na direita mineira. Sua missão será dupla: demonstrar que um perfil de articulador pode gerar tração eleitoral e provar que é capaz de ser o ponto de convergência entre o legado de Zema e a base bolsonarista, representada no estado pelo senador Flávio Bolsonaro.
O movimento em torno de Aro é menos sobre ideologia e mais sobre viabilidade. Para a direita mineira, a questão central é encontrar um nome capaz de consolidar o poder e dar continuidade ao projeto iniciado por Zema. Se Aro será esse nome, ou apenas mais uma peça em um jogo cujas regras ainda estão sendo escritas, é a pergunta que definirá a política do estado nos próximos anos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





