Masayoshi Son, o controverso fundador e CEO do SoftBank, desqualificou os temores de uma bolha especulativa em inteligência artificial como uma "pergunta tola". Durante um evento anual da companhia em Tóquio, o executivo argumentou que duvidar do potencial da IA é um pensamento retrógrado, comparável a questionar a utilidade de carros e aviões em suas respectivas épocas.

A tese de Son vai além da retórica. Para ele, a questão não é se a IA gerará retornos, mas o volume de capital necessário para construir a infraestrutura que a sustentará. A estimativa que ancora a estratégia do conglomerado japonês é de uma necessidade de investimento global da ordem de US$ 5 trilhões anuais, segundo reportagem da Fortune.

O custo da nova economia

Este número trilionário, segundo a visão de Son, não se destina apenas a startups de software, mas à fundação física da próxima era tecnológica. O capital seria direcionado para expandir massivamente a capacidade de data centers, aumentar a produção de semicondutores e, crucialmente, desenvolver novos sistemas de energia para suprir uma demanda sem precedentes. A projeção é que, até 2040, as indústrias relacionadas à IA representem aproximadamente 20% do PIB global.

O SoftBank já se movimenta para materializar essa visão. O grupo vendeu sua participação na Nvidia no ano passado, liberando capital para reinvestir diretamente em IA e data centers. Mais recentemente, iniciou um negócio de baterias no Japão, antecipando que o consumo de eletricidade impulsionado pela IA se tornará um dos principais gargalos — e oportunidades — do futuro.

A mensagem de Son é clara: a discussão sobre uma "bolha" é um desvio do ponto principal. Para o investidor, a recusa em participar dessa corrida evolutiva é o verdadeiro risco. Ao colocar na mesa uma cifra tão monumental, o SoftBank não está apenas fazendo uma previsão financeira, mas definindo a escala do que considera ser uma transformação civilizacional, cujos custos de construção serão tão massivos quanto seus retornos potenciais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune