Os principais mercados globais encerraram a última semana com um tom de alívio, ensaiando uma recuperação após um período de perdas. O Ibovespa, por exemplo, completou sua segunda semana consecutiva de alta, enquanto os índices americanos Nasdaq e S&P 500 também reverteram quedas recentes. Até mesmo o Bitcoin, que negocia em tendência de baixa, encontrou um suporte momentâneo.
A leitura, contudo, é de cautela. Segundo uma análise técnica publicada pelo InfoMoney, essa recuperação é frágil e se aproxima de barreiras técnicas importantes. O movimento comprador dos últimos dias levou os ativos exatamente para zonas de resistência que, se não forem rompidas, podem sinalizar apenas um repique técnico antes de uma nova onda de vendas. A semana, portanto, se desenha como uma prova de fogo para a direção dos mercados no curto prazo.
O cenário local: Ibovespa e dólar em encruzilhada
No Brasil, o Ibovespa avançou para a casa dos 177.999 pontos, mas agora encara um obstáculo decisivo na faixa entre 178.720 e 181.560 pontos. A superação dessa zona é considerada crucial para a continuidade do movimento comprador, com potencial para buscar patamares mais altos. Do contrário, a perda do suporte em 167.690 pontos poderia recolocar o índice em trajetória de baixa. O indicador de força relativa (IFR) em zona neutra reforça o sentimento de indecisão.
O dólar futuro espelha essa mesma encruzilhada. Após três semanas de queda, o ativo teve uma leve valorização, mas permanece espremido entre suas médias móveis de curto e médio prazo, na casa dos 5.117 pontos. Para os analistas técnicos, o contrato precisa superar a resistência em 5.258 pontos para ganhar tração compradora ou perder o suporte de 4.992 pontos para retomar o movimento de baixa. Por ora, prevalece o compasso de espera.
O termômetro global: Tech e cripto em teste
O cenário internacional não é diferente. Nos Estados Unidos, Nasdaq e S&P 500 subiram na última semana, mas o movimento não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas em julho. Ambos os índices negociam próximos a médias móveis que funcionam como resistência. Para a Nasdaq, o desafio é romper a barreira dos 25.880 pontos para mirar novamente sua máxima histórica. Para o S&P 500, a prova é superar o topo em 7.618 pontos.
No universo cripto, o Bitcoin permanece em uma clara tendência de baixa, apesar de ter encontrado suporte na região de US$ 57.800. O ativo tenta uma reação, mas negocia abaixo de US$ 70.000, um nível psicológico importante. A análise técnica aponta que uma recuperação consistente depende do rompimento da resistência na faixa de US$ 67.292 a US$ 70.465. Sem isso, a perda dos suportes atuais poderia destravar uma nova e mais intensa etapa de vendas.
A fotografia técnica entre as diferentes classes de ativos revela uma notável consistência. Seja na bolsa brasileira, no câmbio, na tecnologia americana ou nos criptoativos, a narrativa é a mesma: um alívio de curto prazo que agora confronta resistências importantes. O mercado parece ter tirado um breve respiro, mas a questão sobre a sustentabilidade dessa alta permanece em aberto, aguardando o próximo movimento decisivo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





