A MFG Agropecuária, parte do grupo MBRF (MBRF3), está reconfigurando sua estratégia de confinamento com o objetivo de otimizar custos e elevar a eficiência operacional. A decisão de não renovar contratos de arrendamento em Pereira Barreto (SP) e Campo Verde (MT) ao final de 2025 marca um ponto de inflexão, direcionando investimentos para as seis unidades próprias remanescentes. A meta é clara: reduzir despesas fixas, aumentar a produtividade e retornar ao patamar de abate de cerca de 300 mil bovinos anualmente a partir de 2027, volume que a empresa atingiu anteriormente com uma estrutura maior.
A lógica por trás dessa mudança é a busca por um modelo mais enxuto e rentável. Wagner Lopes, gerente executivo de Confinamento da MFG Agropecuária, explicou que a saída das unidades arrendadas foi motivada por questões econômicas. Embora ainda mantenha um contrato de arrendamento em Sabino (SP), com a família Bertin, a preferência agora é por ativos próprios, onde a empresa pode ter maior controle sobre os investimentos e a gestão. A capacidade estática atual, após a saída das unidades citadas, caiu para 102 mil cabeças, mas a MFG planeja aumentar o número de giros anuais – o ciclo completo de engorda e abate de um lote de animais – para compensar a redução temporária no volume total. A projeção para 2027 é abater 306 mil bovinos, o que significa realizar três giros de 102 mil animais ao longo do ano.
Otimização de Custos e Eficiência Operacional
A estratégia de concentrar investimentos em unidades próprias visa diluir os custos fixos, que são uma preocupação constante no setor de confinamento. Ao aumentar o giro dos confinamentos restantes, a MFG espera que o custo por cabeça abatida diminua. Isso é possível porque a infraestrutura existente, como instalações e equipamentos, será utilizada de forma mais intensiva. A empresa já vinha investindo em tecnologia e gestão, o que a levou a concluir que seria mais eficiente direcionar recursos para os ativos que já controla. Essa abordagem permite não apenas manter, mas também expandir a capacidade produtiva, ao mesmo tempo em que se aprimora a eficiência operacional. Em 2026, a companhia projeta abater entre 255 mil e 265 mil animais, um número que pode ser alcançado com o mercado mais aquecido e a crescente demanda de pecuaristas por serviços de engorda no modelo "boitel".
Investimento em Tecnologia para Ganho de Produtividade
Paralelamente à reestruturação física, a MFG está aprofundando seus investimentos em tecnologia. A automação de trato, a identificação eletrônica dos animais e o uso de câmeras para monitorar a evolução do peso e do desenvolvimento são ferramentas cruciais. O objetivo é determinar com maior precisão o momento ideal para o abate, evitando que os bovinos permaneçam no confinamento por tempo excessivo, quando o ganho de peso já não justifica o custo diário. Essa precisão é vital, especialmente com o encarecimento do boi magro, que representa a maior parte do custo de aquisição. A empresa busca maximizar a produção de arrobas por animal, encurtando o ciclo de engorda. Um manejo mais eficiente, nutrição aprimorada e monitoramento contínuo podem permitir que um bovino atinja 21 arrobas, em vez das 20 originalmente previstas, diluindo o custo de aquisição e compensando a perda de volume das unidades arrendadas.
Implicações do Mercado e Proteção de Preços
Apesar de uma recente desaceleração nas exportações de carne bovina para a China, a demanda pelos serviços de confinamento da MFG tem se mantido robusta. Pelo contrário, as últimas semanas registraram um aumento na procura, impulsionado pela expectativa de valorização da arroba. Os confinamentos da companhia já estão praticamente negociados desde o início do ano, com filas de entrega de animais para os meses subsequentes. A expectativa de retomada dos embarques para a China, dentro da nova cota sem sobretaxa, também contribui para as projeções otimistas. O mercado futuro já reflete essa tendência, com negociações próximas a R$ 400 por arroba para janeiro. A MFG utiliza a proteção de preços como ferramenta para mitigar riscos, tanto para a empresa quanto para seus parceiros. Produtores podem travar o preço de venda futura antes mesmo de o animal entrar no confinamento e, em alguns casos, antecipar até 70% do valor do gado para financiar a reposição. Esse mecanismo é particularmente importante em um cenário de reposição cara, permitindo ao pecuarista otimizar seu fluxo de caixa e gerenciar melhor os riscos de mercado.
O Caminho à Frente e as Perguntas em Aberto
A estratégia da MFG Agropecuária de focar em confinamentos próprios e investir em tecnologia demonstra uma clara busca por eficiência e rentabilidade em um setor competitivo. A capacidade de adaptar sua estrutura e alavancar a tecnologia para otimizar o ciclo de produção é um diferencial. No entanto, a execução dessa estratégia dependerá de diversos fatores, incluindo a volatilidade dos preços das commodities, a demanda internacional por carne bovina e a capacidade de manter o giro eficiente dos confinamentos. O sucesso em atingir a meta de 306 mil abates em 2027 será um indicador importante da eficácia dessa reestruturação.
A empresa agora se volta para a consolidação de suas operações internas, confiando que o aprimoramento tecnológico e a gestão de custos trarão os resultados esperados. A capacidade de responder às dinâmicas do mercado, como a flutuação da arroba e as políticas comerciais de grandes importadores, continuará sendo um fator crítico para o sucesso a longo prazo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times — Mercados





