Michael Burry, o investidor que ganhou notoriedade ao antecipar o colapso do mercado imobiliário em 2008, afirmou ter estudado uma posição vendida contra a SpaceX, de Elon Musk, mas decidiu não levar a estratégia adiante. Em publicação própria repercutida pela InfoMoney, Burry disse que avaliou diferentes maneiras de estruturar o short e concluiu que o custo e as condições disponíveis não ofereciam a relação risco-retorno que ele considera adequada.
A visão analítica sobre valuation e modelo de negócios
Segundo Burry, a empolgação do mercado com a SpaceX convive com desafios operacionais e financeiros relevantes. Em sua análise, a empresa combina frentes distintas — como serviços de telecomunicações via satélite (Starlink) e lançamentos espaciais — que exigem execução impecável e aportes contínuos de capital para sustentar a expansão. Para ele, essa complexidade pode não estar totalmente refletida nos preços que investidores estão dispostos a pagar.
Burry adota um tom cético em relação à narrativa de crescimento acelerado e aponta que a trajetória de lucros sustentáveis ainda precisa se consolidar. Ele argumenta que, em ambientes assim, posições vendidas podem parecer atraentes no papel, mas a prática envolve custos de carregamento, riscos idiossincráticos e fatores comportamentais que muitas vezes inviabilizam a operação.
Por que o short ficou no papel
O gestor relatou que o recuo foi motivado principalmente por três vetores: (1) custo e disponibilidade dos instrumentos para executar a aposta contrária; (2) riscos operacionais e de liquidez envolvidos em estruturas de short; e (3) o componente comportamental de empresas com grande visibilidade pública, nas quais fluxos de notícias e expectativas podem sustentar valuations por mais tempo do que os fundamentos sugerem.
O fator Musk e o risco de reputação
Historicamente, apostar contra empresas associadas a Elon Musk é uma estratégia de alto risco financeiro — e, não raro, reputacional. Casos envolvendo críticas públicas a investidores vendidos em ações da Tesla mostram como a dinâmica entre narrativa e preço pode penalizar shorts por longos períodos, independentemente de argumentos fundamentalistas. Para parte do mercado, isso transforma o short selling de um exercício quantitativo em um teste de resiliência psicológica.
O que observar adiante
Para investidores, a questão central continua sendo se a SpaceX conseguirá converter escala em rentabilidade consistente, reduzindo a dependência de capital externo e equilibrando ambição tecnológica com disciplina financeira. A mensagem de Burry funciona como lembrete de que, mesmo em ambientes eufóricos, a gestão de risco deve priorizar fundamentos, estrutura da operação e custo real de carregar posições.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





