A área de Bears Ears, em Utah, outrora um monumento nacional com proteções ambientais e culturais rigorosas, agora se vê sob a iminente ameaça da atividade mineradora. Em 11 de setembro, data em que a administração Trump oficializou a redução drástica do monumento, duas empresas protocolaram um total de 16 novas reivindicações de mineração em terras que antes faziam parte da área protegida. George W. Schultz registrou três reivindicações na região de Lockhart Basin, enquanto a Kimmerle Mining apresentou treze, incluindo ajustes a uma mina já existente e registrada em 2017 após um encolhimento anterior do monumento. A notícia, divulgada pela Outside Online, acende um alerta entre defensores do meio ambiente e da preservação cultural, que veem a ação como uma violação direta da proteção devida a esses locais.
Ameaça Imediata e Contestações Legais
As novas reivindicações, que podem permitir o início da exploração em questão de meses, ocorrem em um contexto de intensa disputa legal. Grupos ambientalistas, arqueológicos e indígenas, juntamente com a gigante do setor outdoor Patagonia, já haviam processado o governo de Trump, argumentando que a redução de mais de 90% de Bears Ears e Grand Staircase-Escalante violou a autoridade presidencial sob o Antiquities Act. Grant Stevens, diretor de comunicação da Southern Utah Wilderness Alliance (SUWA), uma das organizações signatárias da ação, declarou que as áreas afetadas deveriam permanecer protegidas e que a decisão de Trump foi ilegal. Embora a extensão exata das novas reivindicações ainda não seja clara — os dados do condado identificam lotes de 160 acres, mas a maioria é menor —, a preocupação reside na escala e no impacto potencial sobre ecossistemas e sítios culturais.
Um Ciclo de Litígios e Restrições
A situação em Bears Ears é complexa, envolvendo litígios de lados opostos. Enquanto ambientalistas lutam contra a mineração, oponentes da expansão do monumento, incluindo Kyle Kimmerle, membro da Kimmerle Mining, processaram o ex-presidente Joe Biden em 2023. Eles argumentam que a restauração e expansão de Bears Ears por Biden infringiram o Antiquities Act, que limita a criação de monumentos à menor área necessária para a proteção dos objetos de interesse. Embora um tribunal distrital tenha inicialmente rejeitado o caso, um painel de apelação reverteu a decisão em junho, enviando o processo de volta para análise. Esse cenário de idas e vindas legais demonstra a polarização em torno da gestão e proteção de áreas naturais de grande valor.
O Papel do Bureau of Land Management e o Futuro Incerto
Antes que qualquer atividade de mineração possa começar em Bears Ears, as empresas precisam obter aprovação do Bureau of Land Management (BLM). O BLM é obrigado a conduzir uma avaliação ambiental detalhada para determinar os impactos potenciais da exploração. Hanna Larsen, advogada da SUWA, indicou que, embora as opções legais para contestar diretamente as reivindicações sejam limitadas, os grupos planejam se opor às aprovações do BLM e examinar todas as alternativas disponíveis. A possibilidade de a mineração ser retomada em poucos meses é real, caso as contestações não prosperem ou o processo de avaliação ambiental seja acelerado. A incerteza paira sobre o futuro de Bears Ears, um local de imensa importância ecológica e arqueológica.
Perguntas em Aberto e o Que Observar
O futuro de Bears Ears permanece em um delicado equilíbrio, pendendo entre a exploração de recursos minerais e a preservação de um patrimônio natural e cultural insubstituível. As ações recentes de mineração, somadas às batalhas legais em andamento, criam um cenário de tensão constante. Resta saber como o BLM conduzirá sua avaliação ambiental e se as salvaguardas legais e ambientais serão suficientes para proteger a área de impactos irreversíveis. A vigilância dos grupos ambientalistas e a resposta das autoridades serão cruciais para definir o destino deste monumento.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Outside Online





