O mercado de minério de ferro vive um momento de calmaria tensa. As cotações futuras da principal matéria-prima do aço operaram com oscilação mínima nesta quinta-feira, tanto na bolsa de Dalian, na China, quanto em Singapura. O contrato para janeiro em Dalian fechou com leve queda de 0,21%, a 705 iuanes por tonelada, enquanto em Singapura o contrato de referência para setembro ficou praticamente estável, em US$ 95,65 por tonelada.
Essa aparente estabilidade, no entanto, mascara um cabo de guerra entre forças opostas. De um lado, fatores de custo oferecem um piso para os preços. Do outro, os fundamentos da demanda real na China, o maior consumidor global, enviam sinais preocupantes. O resultado é um equilíbrio frágil, que diz mais sobre as incertezas do cenário macroeconômico do que sobre a saúde do setor.
O frete segura o preço
Dois fatores principais estão sustentando as cotações. O primeiro é o custo do frete marítimo, que permanece firme. Segundo analistas da Macquarie citados em reportagem do Money Times, a alta é impulsionada por maiores volumes de carga em relação ao ano anterior e interrupções logísticas causadas por tufões no Pacífico. Custos de transporte mais altos tendem a dar suporte aos preços da commodity entregue nos portos chineses.
O segundo fator é uma melhora marginal na situação das siderúrgicas na China. As perdas nas usinas de Tangshan, um importante polo produtor, diminuíram, embora ainda operem com prejuízo superior a 100 iuanes por tonelada, de acordo com dados da consultoria Mysteel. Essa leve redução da pressão sobre as margens dá um pequeno fôlego aos compradores, evitando uma capitulação nos preços do minério.
O fantasma da demanda
Na outra ponta da balança, os sinais vindos da demanda por aço são negativos. As exportações chinesas do produto manufaturado caíram significativamente na última semana, recuando 447.900 toneladas em relação à semana anterior, segundo a Mysteel. A queda indica uma demanda externa mais fraca e pode sinalizar um excesso de oferta no mercado doméstico chinês.
Essa percepção de fraqueza é reforçada pela queda nos preços de outras matérias-primas, como o carvão metalúrgico e o coque, e dos próprios produtos de aço na bolsa de futuros de Xangai. O vergalhão, termômetro do setor de construção civil, também registrou perdas, apontando para uma atividade ainda anêmica no setor imobiliário, crucial para o consumo de aço.
O mercado de minério de ferro, portanto, encontra-se num impasse. Os custos logísticos e uma leve melhora operacional nas siderúrgicas evitam uma queda maior, mas a fraqueza estrutural da demanda chinesa impede qualquer recuperação sustentada. A direção futura dos preços dependerá de qual dessas forças prevalecerá nos próximos meses.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





