Um potencial de valorização de mais de 40% não parece ser suficiente para animar os investidores da Minerva Foods. Em relatório recente, o Itaú BBA traçou um cenário estruturalmente favorável para a companhia, com um preço-alvo de R$ 5,50 para as ações (BEEF3) em 2026, mas ressaltou a cautela que ainda domina o mercado. Após reunião com a diretoria da empresa, a conclusão do banco é clara: o otimismo só virá com provas concretas.

A tese de investimento na maior exportadora de carne bovina da América do Sul, segundo a análise, depende cada vez menos da narrativa de vantagens competitivas e cada vez mais da capacidade de transformar essa posição em resultados financeiros tangíveis. O mercado quer ver geração de fluxo de caixa livre, normalização do capital de giro e, acima de tudo, uma redução visível da dívida em um ambiente de custo de capital ainda elevado.

A prova do caixa

A gestão da Minerva parece ter absorvido o recado. A geração de caixa tornou-se o principal foco da administração, orientando todas as decisões financeiras. Segundo o Itaú BBA, a empresa está gerindo ativamente capital de giro, estoques e investimentos para acelerar a desalavancagem. Uma das medidas mais diretas foi a redução do pagamento mínimo de dividendos, de 50% para 25% do lucro líquido, para preservar o caixa.

A meta informal da administração é manter as despesas financeiras em um teto de 35% do Ebitda, o que corresponderia a uma alavancagem de aproximadamente 1,7 vez. Para chegar lá, a normalização do capital de giro é crucial, especialmente a recuperação de recebíveis ligados a vendas para a China e a diminuição de estoques. O processo, no entanto, pode ser mais lento do que o mercado gostaria, estendendo-se pelos próximos trimestres.

As vantagens estruturais no radar

Do ponto de vista operacional, o cenário joga a favor da Minerva. A expectativa da administração, compartilhada pelo banco, é de uma redução na produção mundial de carne bovina em 2026, reflexo da oferta mais restrita no Hemisfério Norte. Esse quadro reforça a competitividade estrutural da América do Sul, com o Brasil bem posicionado pelo menor custo de produção e ganhos de produtividade.

A diversificação geográfica da companhia também é um trunfo em um cenário de comércio global mais fragmentado. Novas cotas nos Estados Unidos e medidas de salvaguarda na China podem, paradoxalmente, criar oportunidades para os exportadores sul-americanos. A presença internacional permite à Minerva arbitrar diferenças entre mercados e ajustar sua estratégia conforme as regras do jogo mudam, uma flexibilidade que seus pares regionais não possuem.

O Itaú BBA considera que a plataforma global e a gestão de riscos deixam a Minerva bem posicionada para navegar em um ambiente volátil. Contudo, essas vantagens, embora reais, precisam aparecer de forma inequívoca na última linha do balanço. Por enquanto, o mercado parece preferir esperar para ver. A tese de longo prazo pode ser construtiva, mas os investidores institucionais exigem a prova do caixa antes de voltarem a apostar com força no papel.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times