Gastar menos do que se ganha, poupar e evitar dívidas. A cartilha clássica da saúde financeira acaba de ganhar uma nova roupagem e um nome viral nas redes sociais: ‘moneymaxxing’. O termo, cunhado pela Geração Z, faz parte de uma cultura de ‘maxxing’ — a busca por otimizar todas as áreas da vida, da carreira ao sono — e se traduz em uma avalanche de vídeos com dicas de orçamento, cortes de gastos e busca por renda extra.
O fenômeno não surge no vácuo. Ele é uma resposta direta à pressão econômica sentida por essa geração. Uma pesquisa global da Deloitte aponta que 55% dos jovens entre 19 e 31 anos adiaram decisões importantes, como ter filhos ou comprar um imóvel, por sua situação financeira. Segundo reportagem do Brazil Journal, que analisou a tendência, o movimento é um reflexo da ansiedade de uma geração que, segundo um estudo da Northwestern Mutual nos EUA, não espera alcançar a independência financeira antes dos 37 anos.
Uma nova roupagem para velhos hábitos
No Brasil, o cenário não é diferente. Uma pesquisa da Anbima revela que 51% da Geração Z não guarda dinheiro, enquanto 27% se declaram apostadores — um contraste geracional agudo. Nesse contexto, o ‘moneymaxxing’ pode funcionar como uma porta de entrada para a educação financeira. “A necessidade de guardar dinheiro e se organizar não é nova, mas essa abordagem diferente pode chamar a atenção de pessoas que costumam ser capturadas por tendências”, disse Ana Leoni, CEO da Planejar, ao Brazil Journal.
A lógica é que, ao empacotar conselhos financeiros tradicionais em um formato nativo das redes sociais, a tendência pode ajudar a criar hábitos saudáveis que perdurem. Uma pesquisa recente do Bank of America nos EUA já identifica sinais positivos: 51% dos jovens entrevistados disseram ter começado a guardar dinheiro nos últimos 12 meses, e 64% cortaram despesas.
O risco do algoritmo
O perigo, no entanto, mora no modelo de engajamento das plataformas. Os algoritmos não recompensam os conselhos mais prudentes, mas sim os mais extremos e interessantes. As histórias que viralizam são as de quem alcançou a independência financeira aos 35 anos com sacrifícios radicais ou de quem controla cada centavo de forma obsessiva.
Essa dinâmica cria uma narrativa onde a organização financeira parece exigir um comportamento obsessivo para gerar resultados. “Uma boa organização financeira não é uma conta de chegada, é um hábito que precisa ser sustentável para ser mantido durante toda a vida”, pondera Leoni. A disciplina de investir pacientemente 10% da renda por décadas, embora eficaz, dificilmente se tornará um vídeo viral.
O ‘moneymaxxing’ expõe, assim, uma dualidade. Por um lado, engaja uma geração em um tema árido, mas crucial. Por outro, corre o risco de ser apenas mais uma performance para as redes, promovendo uma visão distorcida e insustentável do que significa construir segurança financeira. O desafio será separar o sinal do ruído.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





