A Movistar, braço de varejo da Telefónica na Espanha, consolidou-se como a operadora de maior qualidade global no país, com uma nota de 7,33 em 10. O resultado, parte de um estudo da Asociación Pro-Derechos Civiles, Económicos y Sociales (Adeces), coloca a companhia 18% acima da média do setor e mais de 30% à frente da última colocada.

A liderança não é um ponto fora da curva, mas o reflexo de uma estratégia focada em pilares que o mercado parece ter subestimado: estabilidade da rede e eficiência na resolução de problemas. Segundo a reportagem da Forbes España, que analisou o estudo, o mercado espanhol de telecomunicações pode estar sinalizando uma transição, onde a competição feroz por preço e velocidade começa a ceder espaço para a disputa por confiabilidade — uma lição relevante para mercados igualmente competitivos como o brasileiro.

A métrica que importa

Os dados, compilados a partir de fontes oficiais como o regulador espanhol (CNMC), mostram a vantagem da Movistar em indicadores críticos. A operadora registra a menor frequência de avarias em rede fixa do setor (0,19%), enquanto concorrentes como o Grupo Orange apresentam uma taxa de 1,75%. O tempo médio para reparo também é um diferencial: 46,5 horas na Movistar, contra mais de 100 horas em outras empresas, com alguns casos superando 175 horas.

Essa performance se estende ao serviço móvel, onde a companhia lidera a implementação da tecnologia 5G 'Stand Alone' (SA), segundo a consultoria Opensignal. A estratégia de oferecer a rede de última geração sem custo adicional impulsionou a adoção, com clientes passando mais de um terço do tempo conectados à nova tecnologia. Outros relatórios, como o da Ookla e da Asociación de Internautas, corroboram a liderança em métricas de velocidade, latência e consistência da rede.

O fim da guerra dos megabits?

A conclusão que emerge dos relatórios é que, com a massificação da fibra óptica, as velocidades se tornaram homogêneas e deixaram de ser o principal fator de diferenciação. O campo de batalha agora é a experiência do usuário, definida pela estabilidade da conexão, a agilidade no atendimento e a capacidade de resolver incidentes rapidamente. A Movistar parece ter entendido essa dinâmica antes de seus rivais.

Para o ecossistema de tecnologia e telecomunicações brasileiro, o caso espanhol serve como um espelho. Em um mercado onde Vivo (também da Telefónica), Claro e TIM travam uma disputa acirrada por market share, a discussão sobre o valor percebido pelo cliente para além do giga e do preço ganha tração. A aposta de longo prazo em infraestrutura e excelência operacional pode se provar uma vantagem competitiva mais duradoura do que a próxima oferta promocional.

O movimento na Espanha sugere que, em mercados maduros, a resiliência da infraestrutura e a qualidade do suporte técnico superam a retórica do marketing. A questão que fica é se os consumidores, habituados a decidir pelo preço, estão dispostos a pagar pela paz de espírito de um serviço que simplesmente funciona.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España