Existe uma liturgia particular que antecede um Nintendo Direct. Nas redes sociais, cartelas de bingo com previsões improváveis são compartilhadas como amuletos. Fóruns debatem a veracidade de supostos vazamentos. No dia e hora marcados, milhões de pessoas ao redor do mundo pausam o que estão fazendo para assistir, juntas, a um vídeo pré-gravado. É uma comunhão digital que poucas marcas conseguem replicar.

Nesta semana, a Nintendo intensificou esse ritual ao anunciar não um, mas dois eventos consecutivos. A manobra é um lembrete do poder que a empresa construiu ao abandonar o palco tradicional de feiras como a E3 e criar sua própria cadência de comunicação. O formato 'Direct' não é apenas uma apresentação de produtos; é uma ferramenta de controle de narrativa e um motor de engajamento que fala diretamente com sua comunidade, sem intermediários.

O ritual em duas partes

A primeira apresentação, de 30 minutos, será dedicada exclusivamente aos 40 anos da franquia 'The Legend of Zelda'. A expectativa, alimentada por vazamentos recentes, gira em torno de uma edição especial do console Switch 2, um remake do clássico 'Ocarina of Time' e novidades sobre a adaptação para o cinema. É a Nintendo celebrando seu passado para vender seu futuro.

No dia seguinte, um Direct de 45 minutos trará um panorama mais amplo de lançamentos. Segundo reportagem do The Verge, a programação em sequência serve a um duplo propósito: capitaliza a nostalgia e o peso de uma de suas maiores propriedades intelectuais, ao mesmo tempo que mantém o fluxo constante de novidades que o mercado de games exige. A estratégia transforma o que seria um comunicado à imprensa em um evento de dois dias.

Para os fãs, a semana que antecede os eventos é de pura antecipação. Para a Nintendo, é a consolidação de um modelo de marketing que se tornou tão influente quanto os próprios jogos que anuncia. Em um cenário de comunicação fragmentada, a empresa conseguiu criar um momento em que, por alguns minutos, ela tem a atenção indivisível de seu público. E essa atenção, hoje, é o ativo mais valioso de todos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Verge