Na fronteira oeste da Inglaterra, onde a terra se encontra com o País de Gales, uma colina artificial maciça sustenta as ruínas de um castelo. É uma visão fantasmagórica, um esqueleto de pedra sobre um monte que já foi o epicentro do poder normando na região. Este é o Castelo de Clifford, um lugar cuja história é tão vasta quanto o vale que ele um dia dominou.
Sua origem remonta a 1070, quando William FitzOsbern, um dos principais barões de Guilherme, o Conquistador, ergueu uma fortaleza no estilo motte-and-bailey — uma torre sobre um monte com um pátio murado. A localização era estratégica: sobre um penhasco com vista para um vau do Rio Wye. A arquitetura era uma com a paisagem, projetada para usar as inundações sazonais do rio como uma barreira natural, um fosso criado pela própria natureza para proteger um novo assentamento normando.
Um bastião na fronteira
Após a queda em desgraça do filho de FitzOsbern, o castelo passou por várias mãos até chegar à família que lhe daria o nome e a fama: os Cliffords. Foi sob seu domínio que a fortaleza de madeira foi reconstruída em pedra, e suas paredes testemunharam a vida de Rosamund Clifford, a “Bela Rosamund”, notória amante do Rei Henrique II. O romance real adicionou uma camada de intriga e notoriedade ao local, cimentando seu lugar no folclore inglês.
Mas o castelo não foi apenas palco de romances. O neto de Rosamund, Walter de Clifford, ousou rebelar-se contra o Rei Henrique III em 1233, resultando em um breve cerco à fortaleza. Embora a paz tenha sido selada, o ato de desafio marcou o castelo como um ponto de tensão entre o poder da Coroa e a autonomia dos senhores da fronteira. Sem um herdeiro homem, a linhagem dos Clifford se extinguiu, e o castelo passou para os Mortimer de Wigmore, antes de cair em um longo esquecimento.
Hoje, negligenciado e em ruínas há mais de 600 anos, Clifford é um testamento silencioso de poder, rebelião e paixão. Suas pedras desmoronadas, muitas vezes ignoradas pelos roteiros turísticos, guardam as histórias de uma Inglaterra forjada a ferro e fogo, onde a lealdade era tão volátil quanto a névoa que sobe do Rio Wye.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Atlas Obscura





