Em um dia de resultados mistos para as bolsas asiáticas, o mercado sul-coreano se destacou. O índice Kospi fechou em alta de 1,4%, superando a marca de 7.000 pontos, um movimento que destoa da cautela vista em Tóquio e Hong Kong. A força motriz, segundo reportagem do Money Times, não vem de um otimismo generalizado, mas de uma tese de investimento cada vez mais concreta: o impacto da inteligência artificial na economia do país.

O otimismo não é apenas especulativo. A alta reflete uma análise aprofundada do Bank of America (BofA), que elevou suas projeções de crescimento para o PIB da Coreia do Sul para 3,6% em 2026 e 2,5% em 2027. A leitura do banco é que um ciclo de alta prolongado e robusto no setor de chips, impulsionado por investimentos globais contínuos em IA, está apenas começando a mostrar seus efeitos.

O efeito cascata

A tese central do BofA é que a demanda por semicondutores de IA está gerando um "efeito cascata" que transborda para a economia real. Não se trata apenas de empresas de tecnologia lucrando, mas de um impacto sistêmico. Os analistas citam sinais claros de aumento nos investimentos em manufatura e construção, setores diretamente beneficiados pela expansão da infraestrutura necessária para a produção de chips.

Adicionalmente, o bom momento do setor tecnológico impulsiona a arrecadação de impostos, dando ao governo mais espaço para gastos fiscais de apoio à economia. Por fim, esse ciclo virtuoso se reflete em um consumo mais robusto, completando a engrenagem do crescimento. A IA, nesse cenário, deixa de ser um conceito abstrato para se tornar um motor macroeconômico tangível.

Enquanto a Coreia do Sul colhe os frutos de sua especialização tecnológica, outros mercados na região enfrentam diferentes batalhas. Na Austrália, por exemplo, a preocupação central é a inflação persistente, que gera frustração até mesmo nas autoridades monetárias. O contraste evidencia como a tese da IA está criando uma bifurcação de destinos, mesmo entre economias geograficamente próximas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times