O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que o governo está disposto a aprofundar o ajuste fiscal para criar condições para a queda da taxa de juros no país. A declaração foi feita durante um evento da Esfera Brasil, onde ele afirmou que a equipe econômica fará “o que for preciso” para entregar “juros mais civilizados”.
O aceno busca reforçar o compromisso com a disciplina fiscal, em um momento de ceticismo do mercado quanto à capacidade do governo de cumprir as metas. A estratégia, segundo Durigan, é inaugurar um ciclo de superávits a partir de 2027, combinando controle de despesas com a revisão de incentivos considerados ineficientes.
O caminho do superávit
A promessa de “fazer o que for preciso” se apoia na projeção de um resultado primário positivo para o orçamento de 2027, que o governo espera ser o primeiro de uma série recorrente. Durigan reconheceu a importância da política fiscal na definição da Selic, mas argumentou que o nível atual dos juros não se explica apenas por fatores domésticos, citando o cenário adverso como um contraponto.
O secretário mencionou o aumento do custo de financiamento em economias como Estados Unidos e Alemanha, além de incertezas geopolíticas, como elementos que pressionam as taxas globalmente. A leitura aqui é que, embora o governo se comprometa com o “dever de casa”, o espaço para uma redução mais drástica dos juros pode ser limitado por fatores que fogem ao seu controle.
A mira nos benefícios
Uma das frentes mais concretas mencionadas por Durigan é uma nova rodada de revisão sobre os benefícios tributários. O secretário questionou a manutenção de incentivos que não geram retorno social claro e defendeu abertamente a discussão de um novo corte linear, nos moldes da redução de 10% já implementada para benefícios infraconstitucionais.
Essa agenda, no entanto, historicamente enfrenta forte resistência no Congresso e em setores empresariais. A fala de Durigan pode ser interpretada tanto como um sinal de firmeza da equipe econômica quanto um balão de ensaio para medir a temperatura política para medidas de austeridade. O desafio será combinar o ajuste com a promessa de um “Estado forte” que investe onde o mercado não tem apetite.
Ao fim, a mensagem de Durigan tenta equilibrar duas narrativas: a de um governo responsável fiscalmente e a de um cenário externo que impõe limites. Resta saber se as ações prometidas serão suficientes para ancorar as expectativas do mercado e se o capital político para executá-las estará disponível.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





