O sistema de bibliotecas públicas do condado de Deschutes, no Oregon, tomou uma decisão que desafia 150 anos de convenção: aposentar o Sistema Decimal de Dewey. Com um investimento de US$ 195 milhões em uma ampla reforma de suas unidades, a instituição implementou um modelo de organização proprietário, batizado de 'Wayfinder', com um objetivo claro: transformar a visita à biblioteca em uma experiência de descoberta, não apenas de pesquisa.
A aposta parte de uma constatação simples, segundo os gestores do projeto em reportagem da Fast Company: a maioria dos usuários não chega com um livro específico em mente, mas para navegar pelas prateleiras. O sistema Dewey, criado em 1873, foi pensado para catalogar o conhecimento de forma enciclopédica, não para facilitar o passeio descompromissado. Sua estrutura numérica rígida e suas categorias, que refletem os preconceitos do século 19 — conteúdo LGBTQ+, por exemplo, já foi classificado como 'transtorno mental' —, criam uma barreira para o leitor casual.
O Wayfinder, em contraste, emula a lógica de uma livraria moderna. Os livros são agrupados em categorias temáticas amplas e subcategorias intuitivas. Um livro sobre jardinagem, por exemplo, que no sistema Dewey poderia estar espalhado por diferentes seções, agora fica consolidado em um único local. A arquitetura das novas bibliotecas, projetada pelo escritório Miller Hull, reforça essa filosofia. Prateleiras mais baixas e modulares, dispostas de forma não linear, criam pequenos 'refúgios' que convidam à exploração, em vez dos corredores longos e impessoais tradicionais.
A iniciativa de Deschutes é mais do que uma simples reorganização de acervo. É um estudo de caso sobre como redesenhar sistemas legados com foco total na experiência do usuário. Ao trocar a lógica de inventário pela de engajamento, a biblioteca reafirma seu papel não apenas como um repositório de informação, mas como um espaço público vibrante, projetado para a serendipidade.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





