A cadeira do diretor de operações (COO) parece estar encolhendo, e quem a ocupa é o diretor financeiro (CFO). Nas últimas semanas, empresas como Zillow e a farmacêutica Zoetis anunciaram que seus CFOs acumularão as funções de COO, consolidando poder e responsabilidade em um único executivo.

O movimento, reportado pela revista Fortune, não é um conjunto de casos isolados, mas um sintoma de uma transformação mais profunda na governança corporativa. Conselhos de administração buscam cada vez mais eficiência de capital e integração de dados, e a aposta é que o CFO, com sua visão privilegiada sobre os recursos, é a pessoa certa para pilotar também a operação.

Do balanço à operação

A lógica por trás da fusão de papéis é clara: o CFO moderno já não é apenas o guardião dos números, mas o arquiteto da alocação de recursos. Em um ambiente de negócios onde cada decisão precisa ser justificada por dados, quem controla o orçamento e as métricas financeiras detém a chave para a estratégia operacional. Uma pesquisa da L.E.K. Consulting com mais de 100 diretores financeiros revelou que quase dois terços deles já veem suas responsabilidades se sobrepondo às do COO. Em cerca de 10% das empresas ouvidas, os cargos já foram totalmente fundidos.

O COFO e o futuro da gestão

A formalização dessa tendência já tem nome. A Salesforce, por exemplo, criou no ano passado a posição de "COFO" — Chief Operating and Financial Officer. A leitura é que, com a ascensão da inteligência artificial transformando o departamento financeiro em um centro de comando de dados, o CFO está naturalmente posicionado para assumir um mandato mais amplo. A consolidação, no entanto, não vem sem riscos, concentrando poder e a execução de duas áreas críticas em uma única pessoa.

O teste, agora, é ver até onde o mandato de um executivo pode se esticar. A aposta na eficiência sobre a especialização está na mesa, e o mercado observará atentamente se a figura do "super-CFO" se prova uma inovação de gestão duradoura ou um experimento com riscos concentrados demais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune