O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo está enviando um sinal claro, e na contramão das narrativas sobre o fim do trabalho presencial. O preço médio pedido para locação atingiu um recorde de R$ 138,20 por metro quadrado, enquanto a taxa de vacância recuou para 12,1%, a menor já registrada na cidade. Os dados são de um levantamento da consultoria Binswanger Brazil, que aponta para um aquecimento robusto no setor.
A tese que emerge dos números não é a de uma volta massiva e indiscriminada ao escritório, mas sim um movimento de "flight to quality". Empresas parecem estar consolidando suas operações em espaços mais qualificados, bem localizados e com melhor infraestrutura, mesmo que isso signifique pagar um prêmio. O fenômeno é impulsionado tanto pela retomada do trabalho presencial quanto pela expansão de companhias que buscam novos espaços, segundo a consultoria.
O prêmio pela qualidade
A valorização não é homogênea; ela se concentra em bolsões de altíssimo padrão. A região do Itaim/JK lidera com um preço médio de R$ 311 por metro quadrado, seguida de perto pela Faria Lima, com R$ 302 por metro quadrado. Na chamada Zona Centralizada, que engloba essas áreas nobres, o preço médio atingiu R$ 225,60 por metro quadrado, o maior nível desde 2015, e a vacância é de apenas 8,3%.
O cenário reflete uma combinação de demanda aquecida com uma oferta restrita de novos empreendimentos de primeira linha. Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil, aponta para uma “oferta futura limitada e comprometida de escritórios dos padrões A e A+”. Essa escassez de novos ativos de qualidade funciona como um pilar de sustentação para os preços, criando um mercado favorável aos proprietários de imóveis premium.
Absorção e escassez
O desequilíbrio entre oferta e demanda é visível nos dados de absorção. No segundo trimestre, o mercado absorveu 86 mil metros quadrados líquidos — a diferença entre áreas locadas e devolvidas —, superando com folga os 64 mil metros quadrados de novo estoque entregue no período. É essa dinâmica que explica a queda contínua da taxa de vacância consolidada.
A leitura aqui é que o mercado imobiliário corporativo está se bifurcando. Enquanto os ativos de alto padrão prosperam com baixa disponibilidade e preços recordes, edifícios mais antigos ou em localizações secundárias podem enfrentar um cenário oposto. As empresas não estão apenas voltando ao escritório; estão escolhendo criteriosamente para qual escritório voltar, e estão dispostas a pagar pelo endereço e pelas amenidades.
Enquanto o debate sobre modelos de trabalho híbridos e remotos continua, a realidade do mercado imobiliário paulistano mostra que o valor do metro quadrado em endereços cobiçados nunca esteve tão em alta. A questão que fica é até quando essa curva de valorização se sustentará diante de um pipeline limitado de novas entregas e uma economia ainda em ritmo moderado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





