A JBS, maior empresa de proteínas do mundo, está navegando uma maré de excesso de oferta no mercado de frango americano que pressionou os preços e impactou os resultados de sua subsidiária, a Pilgrim’s Pride. Em conferência com analistas para discutir os números do segundo trimestre, o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni, sinalizou que a indústria deve promover um “ajuste” na produção nos próximos meses para reequilibrar o cenário.
A situação, segundo Tomazoni, foi causada por um aumento de produtividade combinado a um menor impacto de casos de gripe aviária, resultando em mais produto no mercado e, consequentemente, preços menores. A fala do executivo revela uma dinâmica clássica de mercados de commodities, mas também expõe a estratégia dupla da JBS: gerenciar a disciplina de um mercado maduro e saturado enquanto busca crescimento agressivo em outras geografias.
Ajuste de rota no maior mercado do mundo
A confiança de Tomazoni de que haverá uma correção vem da própria natureza do setor nos EUA. Ele destacou que a indústria local é historicamente “muito competente e disciplinada” para ajustar a produção quando a oferta foge do controle. O impacto do excesso de produto foi sentido com mais força na divisão de commodities da Pilgrim’s, que fornece frango como matéria-prima para outras indústrias, um segmento altamente sensível a flutuações de preço.
O movimento sinalizado não é de crise, mas de uma correção de curso para proteger as margens. A capacidade de um setor de se autorregular, cortando a produção de forma coordenada ou em reação às forças de mercado, é crucial para evitar uma deterioração prolongada dos preços. Para a JBS, isso significa pisar no freio em uma de suas principais operações para preservar a rentabilidade.
O pivô estratégico para a Ásia
Enquanto a operação americana se ajusta, o foco de crescimento da JBS está claramente voltado para o Oriente. A companhia anunciou uma parceria estratégica com a Danantara Investment Management, braço do fundo soberano da Indonésia, para investir até US$ 5 bilhões na expansão da produção de proteínas no Sudeste Asiático e na Oceania. O acordo prevê que a Danantara adquira 25% das operações da JBS na Austrália e Nova Zelândia por US$ 2,5 bilhões.
Segundo o CFO da JBS, Guilherme Cavalcanti, a transação acelera o crescimento na região sem pressionar o balanço da empresa. O foco inicial será o mercado indonésio, onde a JBS já considera oportunidades no setor de frango — um segmento que a empresa não explora na Austrália, onde seu portfólio inclui carnes bovina, suína, ovina e peixes. A jogada é clara: usar o capital e a conexão estratégica do fundo soberano para destravar uma nova fronteira de demanda.
O contraste entre as duas frentes de negócio ilustra a sofisticação da gestão da JBS. A companhia demonstra estar jogando tanto na defesa, com ajustes operacionais em mercados consolidados como o americano, quanto no ataque, com investimentos robustos em regiões de alto crescimento. A aliança com um fundo soberano não apenas injeta capital, mas oferece uma ponte estratégica para um dos mercados consumidores mais promissores da próxima década.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





