A Cosan está em conversas avançadas para vender uma participação de 15% na Rumo, sua joia da coroa em logística, para um consórcio formado pela gigante chinesa de alimentos COFCO e a trader Bunge. A proposta, segundo reportagem do Brazil Journal, é “substancialmente acima do preço de tela”, indicando o forte interesse estratégico no ativo.

Contudo, a transação não é uma simples questão de preço. O nó da negociação está na governança corporativa. A leitura é que, para os controladores da Rumo — notadamente Rubens Ometto, da Cosan, e André Esteves, do BTG Pactual —, a entrada de capital é secundária à manutenção do poder de decisão. O movimento sinaliza uma fronteira clara entre ser um sócio financeiro e um sócio com poder de veto ou influência desproporcional.

O poder vale mais que o preço

O apetite do consórcio COFCO-Bunge por um dos maiores ativos de infraestrutura do Brasil é evidente, mas a firmeza dos atuais controladores é igualmente notável. A desistência de outro interessado, o Grupo Mexico, serve de recado para a mesa de negociação. O grupo mexicano teria recuado por não obter as concessões de governança que desejava, um sinal claro de que Ometto e Esteves não estão dispostos a flexibilizar o controle.

O mercado financeiro reagiu com uma queda de 4% nas ações da Rumo após a notícia, interpretando a saída dos mexicanos como um aumento do poder de barganha do consórcio sino-americano. No entanto, fontes próximas aos controladores afirmam que a Cosan não se sente pressionada a fechar o negócio a qualquer custo. A empresa tem outras alavancas para monetizar ativos e cumprir seu plano de capitalização, o que lhe confere tranquilidade para jogar um jogo de longo prazo. A mensagem é clara: “existe urgência, mas não existe pressa”.

Para a Rumo, a negociação é um teste de fogo sobre o valor de seu controle. A questão que fica no ar não é apenas quanto vale 15% da companhia, mas qual o preço que COFCO e Bunge estão dispostas a pagar por um assento relevante na mesa, mas sem a chave do comando. O desenlace definirá não apenas o futuro da Rumo, mas também o tom para futuras transações estratégicas na infraestrutura brasileira.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech