Anjney Midha, um cientista da computação de 34 anos que se tornou investidor, tem circulado pelo Vale do Silício com um chapéu Stetson e uma frase de efeito: “Há um novo xerife na cidade”. A declaração, relatada pelo The Information, é mais do que bravata. Midha foi um dos primeiros a identificar o potencial da Anthropic, uma das principais desenvolvedoras de modelos de linguagem e concorrente direta da OpenAI.

Em 2021, quando a Anthropic era avaliada em menos de US$ 1 bilhão, Midha fez um investimento usando uma parte substancial de suas economias pessoais. A aposta de alta convicção em uma startup de “fronteira tecnológica” precede o boom gerado pelo ChatGPT e posiciona Midha como um dos grandes vencedores individuais da atual corrida de IA. Sua trajetória encapsula a dinâmica de uma nova classe de investidores que, operando com agilidade e capital próprio, capturam valor antes da consolidação pelo capital institucional.

O retorno do investidor de alta convicção

A aposta de Midha na Anthropic não foi um movimento trivial. Investir capital pessoal significativo em uma empresa em estágio inicial, mesmo uma com fundadores proeminentes, representa um nível de risco que destoa das teses mais diversificadas de fundos de venture capital tradicionais. A Anthropic, fundada por ex-executivos da OpenAI, se estabeleceu como uma força central no desenvolvimento de IA, atraindo bilhões em investimentos de gigantes como Google e Amazon e se posicionando como uma alternativa focada em segurança e alinhamento de IA.

O sucesso da aposta de Midha é um reflexo do crescimento exponencial da própria Anthropic. A empresa, que compete no topo do mercado com seus modelos da família Claude, tornou-se uma peça-chave na infraestrutura de IA para o setor corporativo. O retorno sobre o investimento inicial de Midha, embora não divulgado, é presumivelmente massivo, transformando-o de um investidor promissor em uma figura emblemática da nova riqueza criada pela inteligência artificial. Sua persona de “novo xerife” sinaliza uma mudança de guarda no Vale, onde a capacidade de identificar e financiar a próxima onda tecnológica com capital próprio volta a ser um diferencial decisivo.

A corrida para o IPO e a especulação do mercado

Com o crescimento da Anthropic, a especulação sobre um futuro IPO se intensifica. Relatos do The Information mencionam uma “IPO iminente”, e essa expectativa encontra eco em mercados de previsão. No Polymarket, uma plataforma de apostas baseada em eventos futuros, a probabilidade implícita de que a Anthropic realize sua oferta pública inicial antes da OpenAI chega a 94%, com um volume considerável de negociações. Embora esses mercados reflitam apenas o sentimento especulativo e não informações concretas, eles indicam a forte antecipação do mercado por um evento de liquidez da empresa.

Enquanto a Anthropic não confirma planos de IPO, a discussão sobre seu valuation continua a ser um ponto central. A empresa levantou rodadas que a avaliaram em mais de US$ 18 bilhões no início de 2024. Fontes da indústria mencionam projeções ainda mais agressivas para uma eventual abertura de capital, embora algumas figuras especulativas pareçam exageradas. A trajetória da empresa, de uma aposta de risco em 2021 para uma candidata a um dos maiores IPOs de tecnologia, ilustra a velocidade e a escala da criação de valor na era da IA generativa.

Para investidores como Anjney Midha, o resultado financeiro de um IPO seria a validação final de uma tese de investimento arriscada e pessoal. Para o mercado, a questão não é apenas quem sairá vitorioso na corrida pela IA, mas como o capital, tanto individual quanto institucional, continuará a se posicionar para capturar os retornos de uma transformação tecnológica que está apenas começando.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Information